Caso BES: Ricardo Salgado acusado de roubar identidade de um porteiro espanhol

Caso BES: Ricardo Salgado acusado de roubar identidade de um porteiro espanhol
Carlos Rodrigues Lima 15 de julho de 2020

Em 2014, o BES foi contactado pelo "ingeniero" Domingos Macias como representante da empresa venezuelana PDVSA. Porém, tudo não terá passado de um embuste criado pelo antigo presidente do banco para manter os milhões do petróleo


Em três meses, Domingos Macias, cidadão espanhol, porteiro de profissão,  ficou rico sem ter jogado no Euromilhões. Entre abril e julho de 2014, foram-lhe parar às mãos 4,5 milhões de euros. Esta até podia ser uma história com final feliz, mas Domingos Macias nunca viu o dinheiro. A sua identidade terá sido roubada  numa operação levada a cabo por Ricardo Salgado e João Alexandre Silva, antigo responsável pelo BES/Madeira, para forjar um investimento da empresa estatal dos petróleos da Venezuela, PDVSA, no Banco Espírito Santo em plena altura de crise.

A história da operação montada por aqueles dois antigos responsáveis é contada pelo Ministério Público no despacho de acusação ao caso BES, que imputou 65 crimes a Ricardo Salgado. Tudo terá começado em janeiro de 2014 quando foram conhecidos o problemas da dívida da Espírito Santo International (ESI) e os responsáveis da empresa pública venezuelana começaram a dar sinais de que pretenderiam desinvestir no grupo. Ainda por cima, em abril de 2014 vencia um conjunto de obrigações e havia que reembolsar a PDVSA.

De acordo com o Ministério Público, de forma a manter o dinheiro da Venezuela no grupo "Ricardo Salgado engendrou um esquema pelo qual ficcionou a existência de um concurso/convite lançado pela PDVSA para a gestão de um fundo de ativos e de uma carteira de investimentos".  Este plano teria como objetivo "fazer crer aos serviços do BES da verdade daquele convite/concurso", o qual acabaria por resultar na "adjudicação" à ESAF de um negócio que compreenderia "investimento em capital social da Rioforte".

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