Ana Gomes: Insultos de Ventura provam que ultradireita não é só uma corrente de opinião

Lusa 14 de janeiro
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A diplomata e antiga eurodeputada do PS defendeu que, além de combater "ideias perniciosas" é necessário "combater as forças que estão a financiar a ultradireita".

A candidata presidencial Ana Gomes afirmou hoje que os insultos de André Ventura aos seus adversários são "uma demonstração de que a ultradireita não é só mais uma corrente de opinião, como pretende o Presidente da República".

David Cabral Santos/Cofina Media

A candidata presidencial Ana Gomes afirmou hoje que os insultos de André Ventura aos seus adversários são "uma demonstração de que a ultradireita não é só mais uma corrente de opinião, como pretende o Presidente da República".

"É um perigo para a democracia, e a democracia não pode ser tolerante com os intolerantes. Temos as lições da história: aqueles que fazem insultos com a intenção de estigmatizar grupos étnicos com propósitos racistas, de instalar a divisão e de semear o ódio e a violência não podem ser tolerados na nossa sociedade", afirmou Ana Gomes, questionada pelos jornalistas sobre este tema, no final de uma visita aos Bombeiros Voluntários de Cinfães, no distrito de Viseu.

A diplomata e antiga eurodeputada do PS defendeu que, além de combater "ideias perniciosas" é necessário "combater as forças que estão a financiar a ultradireita".

"Acho extraordinário que nenhum candidato, exceto eu, de acordo com elementos que tenho, tenha até hoje feito qualquer alusão à importante reportagem da SIC, mostrando quem está a financiar a ultradireita: são elementos ligados a grupos fascistas, terroristas, com uma agenda de destruição democrática", acusou, referindo-se à reportagem "A grande ilusão" do jornalista Pedro Coelho.

Numa nova crítica a Marcelo Rebelo de Sousa - que no debate com Ana Gomes defendeu que partidos como o Chega se combatem no plano das ideias -, a antiga dirigente socialista defendeu que "um democrata não pode pretender que isto é só uma corrente cujas ideias têm de ser combatidas".

"Tem de ser combatido um projeto de destruição da democracia. Os cidadãos têm de ser alertados que soluções simplistas não funcionam", apelou.

Questionada se entende ser melhor combater André Ventura no seu próprio jogo ou deixá-lo sem resposta, Ana Gomes respondeu: "Eu estou em jogo pelo reforço da democracia, penso que tudo o tem sido feito para desvalorizar estas eleições, no fundo, faz o jogo da ultradireita".

Durante um comício em Portalegre, na quarta-feira à noite, o presidente do Chega e candidato presidencial André Ventura voltou a recorrer aos insultos pessoais contra alguns dos seus concorrentes ao Palácio de Belém, como a socialista Ana Gomes, a bloquista Marisa Matias, o comunista João Ferreira ou o atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

Ana Gomes foi apelidada de "contrabandista", em virtude do episódio da toma da vacina contra a gripe trazida por uma amiga de França.

As eleições presidenciais estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral decorre entre 10 e 22 de janeiro, com o país a viver sob medidas restritivas devido à pandemia. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

Em Portugal, a pandemia fez até agora 8.236 mortos entre os 507.108 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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