A vida incrível do pai de António e Ricardo Costa (ou Babush e Babuló)

Pedro Jorge Castro 19 de fevereiro de 2016

Foi preso pela PIDE, teve cinco livros proibidos pela censura, inventou anúncios para grandes empresas e adorava noitadas de conversas e copos com os amigos

Pouco depois de o actual primeiro-ministro ter nascido, a 17 de Julho de 1961, a sua mãe e o seu padrinho de baptismo, o arquitecto Victor Palla, convocaram os respectivos cônjuges para uma reunião. Eram os quatro sócios numa empresa, mas a agenda deste encontro, em casa do arquitecto, era estritamente pessoal: a mãe e o padrinho tinham chegado à conclusão de que se tinham apaixonado, não sabiam bem o que haviam de fazer a partir dali, mas entendiam que o primeiro passo era partilhar o facto. Foi desta forma que o escritor Orlando da Costa, pai de António Costa, soube que o seu casamento estava em risco. No fim, em conversa apenas com a mulher, mostrou -se magoado: "Esta reunião foi de muito mau gosto."

Mais de 50 anos depois, a jornalista Maria Antónia Palla, mãe do chefe de Governo, recorda à SÁBADO esta história com algum receio. Não por o filho não apreciar particularmente que ela dê entrevistas, mas por desconhecer a sua reacção: "Ele nunca me perguntou pelo Victor Palla." Embora este episódio não seja referido, o dilema da mulher que sentiu amor por dois homens foi contado na sua biografia, escrita no ano passado pela jornalista Patrícia Reis. Maria Antónia ofereceu um exemplar ao filho, mas ele nunca fez qualquer comentário, ou por falta de tempo para ler ou, o mais provável, por ser tão reservado como era o pai a falar destes assuntos.

O primeiro-ministro diz à SÁBADO que esse foi uma espécie de tabu do pai: "O meu pai era muito reservado em tudo, até sobre as nossas relações, quanto mais sobre as relações dele com a minha mãe. Foi um assunto que nunca abordou. Não achei que devesse ser eu a abordar."

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