“A melhor para a função”. Os elogios europeus à procuradora que o Governo rejeitou

“A melhor”. Os elogios europeus à procuradora que o Governo rejeitou
Bruno Faria Lopes 06 de janeiro

O painel europeu de peritos não teve qualquer dúvida em recomendar Ana Mendes de Almeida para o cargo de procuradora europeia, fazendo uma extensa lista de elogios. Governo preferiu José Guerra - e justificou-o com factos errados.

Sem margem para dúvidas. O painel europeu de peritos que classificou os três candidatos portugueses para a vaga de procurador europeu desfez-se em elogios a Ana Mendes de Almeida, a procuradora que classificaram em primeiro lugar na lista. O parecer da comissão, a que a SÁBADO teve acesso, oferece um profundo contraste face à carta na qual o governo português rejeitou que fosse esta a melhor candidata e defendeu, usando argumentos falsos, que o candidato melhor era José Guerra, que acabou por ficar com o cargo.

"Entre os candidatos indicados, o painel considera que Ana Carla Mendes de Almeida é a melhor para desempenhar a função de Procurador Europeu no gabinete do Procurador Geral Europeu", lê-se no documento datado de 19 de novembro de 2019. "Em particular tendo em conta a combinação da sua experiência a investigar e a processar grandes crimes financeiros e na área da cooperação judicial internacional em assuntos criminais", acrescentam os peritos. Estes eram dois dos principais critérios de avaliação para o cargo.

O parecer refere a "experiência de mais de 28 anos" como procuradora, ao longo da qual "ganhou experiência valiosa, especializada e duradoura na supervisão e condução de investigações e acusações em crimes financeiros graves, incluindo corrupção e outros crimes que afetam os interesses financeiros da União [Europeia]". A última referência é a crimes que envolvem fundos comunitários – a nova procuradoria geral europeia visa precisamente zelar pelo interesse financeiro de toda a União de 26 países, sendo o uso apropriado dos fundos uma das principais frentes de investigação.

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