Notícia

Autárquicas 2017

Teresa sacrificou-se pelo PSD sozinha no Palácio do Governador

02.10.2017 00:20 por Susana Lúcio
A candidata do PSD, Teresa Leal Coelho, demorou mais de duas horas a reagir aos resultados desastrosos conseguidos em Lisboa. O PSD pode tornar-se a terceira força política na autarquia

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Teresa Leal Coelho

As 25 cadeiras dispostas em fila para receber apoiantes na sede de candidatura de Teresa Leal Coelho, permaneceram vazias durante grande parte desta noite eleitoral. Ainda antes das 20h00, quando as primeiras projecções avançaram com uma derrota que poderá ser histórica, na sala no Hotel Palácio do Governador, em Pedrouços, ouviam-se apenas os jornalistas. 

A candidata esperou até às 22h10 para reagir aos primeiros resultados, que lhe davam apenas 8,4 a 11% dos votos. "Este resultado do PSD é um resultado da exclusiva responsabilidade da equipa, que ainda assim aqui está orgulhosa do programa que apresentou", disse Teresa Leal Coelho, numa tentativa de afastar do líder, Passos Coelho, os resultados negativos. 

Uma noite triste e silenciosa
A candidata agradeceu aos apoiantes, que só entraram na sala com a presença da candidata e não chegaram a ocupar todas as cadeiras disponíveis, saudou o vencedor das eleições em Lisboa, Fernando Medina, e não respondeu às perguntas dos jornalistas.
 

Teresa Leal Coelho fala sobre derrota em Lisboa

Pelo meio, foi interrompida por um quadro que foi derrubado da parede por um apoiante e que quase caiu ao chão. Mais um sinal do caos em seu redor. 

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Teresa Leal Coelho, de 56 anos, saiu da sala sob aplausos, mas abandonou o hotel sozinha, acompanhada apenas pelo marido, Francisco Ribeiro de Menezes, embaixador de Portugal em Espanha, e pelo filho, Vasco, de 12 anos. 

Campanha sem entusiasmo
A
noite foi triste e silenciosa. As dezenas de apoiantes presentes no Hotel Palácio do Governador permaneceram longe dos olhares dos jornalistas. A meia dúzia que passou a noite na sala, preferiu refugiar-se da hecatombe divulgada pelos ecrãs de televisão na varanda do hotel. 

Volta e meia surgia alguém da campanha tentar contrariar a realidade. "Só gostava de saber quem foi a jornalista que escreveu que a sala está vazia", disse um dos membros da campanha. "Os apoiantes estão junto às urnas, a trabalhar!" 

Às 20h00, perante uma projecção que colocava a candidata atrás da CDU, a primeira declaração da noite foi do candidato do PSD à Assembleia Municipal de Lisboa, José Eduardo Martins. "É cedo para comentar resultados, mas não é cedo para dizer que o PSD não atingiu os seus objectivos." 

A tristeza na sede de candidatura foi assumida. "Não estamos contentes com este resultado, perdemos as eleições e isso parece inequívoco e o nosso objetivo, como é sempre objetivo do PSD, era ganhar as eleições", acrescentou. 

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Na sala, duas apoiantes assumiram o desalento. "É muito mau", disse uma. "Já estava à espera", respondeu a outra. 

O ralhete de Marcelo
A campanha começou logo mal, com Teresa Leal Coelho a reconhecer na apresentação da sua candidatura não ter sido a primeira escolha do partido. Contou com a presença de algumas figuras do partido, como Marques Mendes, mas sem grande entusiasmo popular. Nos últimos dias tudo se desmoronou.

Na passada sexta-feira, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa foi obrigado a desmentir ter apoiado a candidatura de Teresa Leal Coelho e reprovou tentativas de "manipulação da sua posição." Tudo aconteceu quando a candidata cumprimentou o Presidente que passava num automóvel e disse aos jornalistas que tinha recebido o seu apoio. 

A machadada final foi dada horas antes da conclusão da campanha eleitoral: a quinta candidata da sua própria lista, Sofia Vala Rocha, acusou Teresa Leal Coelho de "não saber fazer política" e acusou Pedro Passos Coelho de "homicídio qualificado" do partido em Lisboa. 

Parece não se ter enganado, tendo em conta os resultados nacionais do PSD, os piores de sempre em eleições autárquicas. "Amanhã?", disse a ex-ministra da Justiça do governo de Passos Coelho, Paula Teixeira da Cruz, à porta do Hotel Palácio do Governador. " Amanhã é dia de voltar à luta."

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Teresa sacrificou-se pelo PSD sozinha no Palácio do Governador
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