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Autárquicas

“Tentaram nacionalizar as eleições no Porto”

01.10.2017 23:31 por Filipa Teixeira
António Tavares, Rui Rio e Paulo Rangel foram os "grandes derrotados" da noite para o presidente da Câmara do Porto reeleito
Foto: Gabriel Tavares

Passava pouco das 21h45 quando Rui Moreira apareceu no púlpito da sede de campanha  Rui Moreira, Porto, O Nosso Partido. A sala enchera-se progressivamente – principalmente após o desfecho do Sporting-FC Porto – e há largos minutos que se ouviam palavras de apoio ao actual presidente da Câmara. "Moreira amigo, o Porto está contigo".

Com um tom muito crítico em relação aos principais partidos de oposição, PS e PSD, foi a este último que Rui Moreira teceu as maiores críticas. E aqui o dedo não foi apontado directamente a Álvaro Almeida – que "foi escolhido e convidado para ser abandonado à última da hora" – mas sim a António Tavares, Rui Rio e Paulo Rangel, os rostos dos " grandes derrotados" da noite. "Não por não nos terem apoiado, o que é legítimo, mas por terem utilizado a cidade do Porto como território para disputas de índole nacional. As eleições autárquicas no Porto não são as primárias secretas do PSD." 

Não foi de resto a única referência que Rui Moreira usou em relação a uma pretensa imiscuição de assuntos nacionais na campanha autárquica do Porto, não poupando também palavras ao Governo que, segundo o Presidente reeleito, "tentou nacionalizar as eleições no Porto" através da "participação inusitada na campanha" de alguns membros do seu executivo. "O Partido Socialista tentou, numa primeira fase, condicionar o nosso movimento. O apoio que nos oferecia tinha um preço que o nosso movimento independente não quis pagar". Entre estes recados enviados a diferentes facções, houve contudo um momento de saudação ao "meu amigo Manuel Pizarro" que mereceu um aplauso generalizado da audiência. 

Depois de garantir que todos os grandes projectos lançados no primeiro mandato serão concluídos nos próximos quatro anos, "com contas à moda do Porto", Rui Moreira despediu-se – também aqui com uma certa ironia – citando Francisco Sá Carneiro: "O Porto sempre mostrou que, para nós, a defesa da liberdade não é uma palavra vã. Há-de ser, portanto, o nosso partido, o Partido do Porto."

Uns metros mais acima, na sede de campanha socialista, Manuel Pizarro apareceu pouco antes das 22h15 para a sua declaração. Uma declaração, que apesar do segundo lugar obtido nestas eleições, teve um tom muitas vezes vitorioso: "Quem tem a maior subida em relação ao resultado anterior é o Partido Socialista", uma "recuperação notável" que se traduz em mais votos, mais mandatos na Câmara e na Assembleia Municipal e que reflecte uma recuperação do eleitorado socialista na cidade relativamente às legislativas de 2015. 

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Cumprimentando todos os candidatos "sem excepção", Pizarro desejou a Rui Moreira "as maiores felicidades no exercício da função para a qual foi eleito", sem contudo voltar a mencionar o episódio do início de Maio "quando alguém que não fomos nós rompeu um acordo que estava estabelecido". Lamentando "a crispação" que caracterizou o discurso de vitória de Rui Moreira, especialmente contra o Governo, Manuel Pizarro aproveitou para fazer uma vez mais a ponte com o executivo de António Costa saudando medidas como "a entrega à cidade da colecção Miró, a entrega aos municípios da gestão da STCP" ou mesmo a aprovação da "expansão da rede do metro que o anterior Governo tinha congelado" como marcos importantes nos quatro anos anteriores de legislação. Entende por isso que "não vale a pena diabolizar o sistema democrático."

Numa campanha "travada pelo Partido Socialista em condições terríveis, com um calendário arranjado à 25ª hora cheio de truques", Manuel Pizarro garante que "todos os eleitos socialistas vão trabalhar com afinco e dedicação sem par a favor do Porto e dos portuenses." E termina o discurso, entre vivas ao Porto e ao PS, citando Mário Soares: "só é derrotado quem desiste de lutar."

À hora em que Moreira e Pizarro falavam ainda não era certo a maioria absoluta para o Presidente reeleito, nem a confirmação da manutenção de um vereador para a CDU e a nomeação do primeiro vereador na cidade para o Bloco de Esquerda. 


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