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Autárquicas

Irene teve de esperar cinco horas para ouvir o "competente Medina"

02.10.2017 01:26 por Sara Capelo
Fernando Medina apresentou-se este domingo pela primeira vez nas urnas como cabeça-de-lista e teve "vitória histórica" em Lisboa
Foto: TIAGO PETINGA/LUSA

Vencer é bom? É. Mas esperar pelo discurso do vencedor nem por isso. Os resultados da abstenção estavam para sair às 19h00 de domingo, 1 de Outubro, quando Irene Buarque desceu com uma amiga até à sala Londres, na cave do lisboeta Hotel Altis, onde o partido socialista passa tradicionalmente as noites eleitorais. 
"Só queríamos ouvir televisão", queixava-se apontando para dois dos quatro plasmas onde ligados nas televisões generalistas (a RTP já passava os números dos abstencionistas - uma previsão da Universidade Católica entre os 42% e os 47% - ainda na SIC se via um filme de acção, Hitman). 
Ainda faltavam mais de cinco longas horas até à reacção do vencedor, Fernando Medina, o homem responsável pela "vitória histórica", como definiria o seu número dois, Duarte Cordeiro ainda às 20h03. 
Irene confessava então (ainda a sala estava vazia e sem as bandeiras do PS e da coligação Lisboa Precisa de Todos) esperança que o próximo mandato "seja melhor do que o primeiro". Não é que este não tenha sido bom - foi: então, nos últimos dois anos, a oferta cultural cresceu tanto que não consegue ver tudo, diz a artista plástica. Mas agora que o "competente Medina que estuda todos os dossiês" se apresentou pela primeira vez nas urnas, "sendo eleito, tem mais força política", explica Irene Buarque, brasileira que vive há 44 anos em Lisboa, cidade onde chegou para uma bolsa da Gulbenkian e se apaixonou pelo arquitecto Nuno Teotónio Pereira. 
Irene foi das primeiras, mas logo depois chegou o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, que depressa subiu ao 12.º andar, onde Medina montou o seu quartel-general. Era ali que às 23h00 dava os parabéns aos presidentes de junta socialista vencedores (19 no total) e lhes pedia: "vem, és sempre bem-vindo!" Numa sala ao lado, uma dúzia de computadores faziam acompanhavam a contagem dos votos. Mário Centeno, o senhor das Finanças também passou por ali, mas não se demorou. Medina recebeu ainda o apoio de três outros ministros, Maria Manuel Leitão Marques (da Presidência), Manuel Caldeira Cabral (Economia) e Tiago Brandão Rodrigues (da Educação).
Para primeira vez, não foi nada mau
Fernando Medina apresentou-se este domingo pela primeira vez nas urnas como cabeça-de-lista: em 2015, era o número dois de António Costa e foi nessa condição que o substituiu à frente da autarquia da capital. 
A verdade é que Medina saiu-se melhor do que António Costa da primeira vez que se apresentou a votos a Lisboa (29,54% e seis mandatos, que não lhe garantiram maioria absoluta). O actual primeiro-ministro teria que esperar dois anos para chegar à maioria absoluta (44,01% e nove mandatos em 2009) e outros quatro para ultrapassar os 50% de votos (em 2013, António Costa conquistou 50,91% dos votos e 11 mandatos).
Quando discursou, Fernando Medina não sabia ainda o número de vereadores que terá. Mas garantiu que iria fazer convergências com a esquerda e talvez atribuir-lhes pelouros. Com a direita, de quem discorda em temas como os transportes e a habitação, disse que a relação seria normal. (A afirmação tinha Assunção Cristas no horizonte).


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