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Operação Marquês

Sócrates acusa MP de "mentira com perna curta"

15.10.2017 08:40 por Cátia Andrea Costa
Antigo primeiro-ministro recebido com gritos de "Sócrates amigo, o povo está contigo" no lançamento do seu livro. Sócrates falou sobre as acusações da Operação Marquês e diz que já teve piores momentos na vida.
Foto: Sábado
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José Sócrates aplaudido no lançamento do livro no Porto

O ex-primeiro-ministro José Sócrates apresentou, este sábado, o seu mais recente livro num hotel no Porto. Ainda antes de falar da obra O mal que deploramos - O Drone, o Terror e os Assassinatos-Alvo, da Sextante Editora, Sócrates agradeceu a presença e o apoio de algumas figuras do PS presentes na cerimónia.

"Eu sei por que é que estão aqui e quero que todos saibam que isso é muito importante para mim", disse Sócrates, que mencionou directamente os nomes de Renato Sampaio, Isabel Santos, Fernando Gomes e António Campos. O antigo chefe de Governo estendeu ainda os agradecimentos a Pedro Bacelar Vasconcelos, que apresentou o seu livro: "[Quero] Sublinhar que está aqui hoje, não apenas para a apresentação de um livro, mas também para mostrar a amizade comigo, eu sei bem."

"Olha, não tenho a certeza se não entraste agora numa lista muito selecta daqueles que são suspeitos de terem escrito o livro do Sócrates. Como se sabe, se há um livro do Sócrates há alguém que o escreveu por ele", atirou ainda o ex-primeiro-ministro.

As seus "mais queridos amigos" disse que se devem preparar "para responder a jornalistas" que perguntem pelo seu nível de vida e se esse permite comprar a sua nova obra, numa alusão a uma pergunta que lhe foi feita na sexta-feira, no âmbito de uma entrevista que deu à RTP na sexta-feira.

Segundo a Lusa, o antigo governante chegou ao hotel com 25 minutos de atraso, tendo sido recebido com aplausos, incentivos e gritos de "Sócrates amigo, o povo está contigo".

"Não terão sucesso, não terão sucesso"
No final da apresentação, falou sobre a Operação Marquês, classificando as acusações do Ministério Público como "um lamaçal de vitupérios" e mostrando-se convencido de que essa "colectânea de insultos" não vai perdurar.

"Como se pode classificar uma colectânea de insultos daquela? Talvez desta forma como já alguém dizer, como um lamaçal de vitupérios, mas ao MP não compete insultar as pessoas, compete, isso sim, apontar o dedo, mas fundamentar aquilo que tem para dizer, e infelizmente o MP não o faz", afirmou aos jornalistas.

Para o ex-primeiro-ministro, "se o MP pensa que esses insultos perduram, está enganado, está equivocado", porque "a mentira não pode durar pela simples razão de que houve muita gente que assistiu a tudo, que participou e que sabe que as coisas não se passaram assim".

"Quando o MP decide juntar dois processos, trazer Ricardo Salgado, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava para este processo fá-lo (...) com a expectativa de salvar este processo, isto é, como bóia de salvação", disse, acrescentando que, "todavia, isto não vai salvar este processo".

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Sócrates sublinhou que se "o MP pretende agora contar às pessoas uma fantasia, uma teoria geral completamente divorciada daquilo que se passou, engana-se".

Questionado se este é um dos piores momentos da sua vida, Sócrates rejeitou a ideia, afirmando que "já houve piores", frisou, adiantando que olha para a vida "com a alegria de quem traz rosas e de quem traz espinhos".

"E tenho orgulho em fazer uma batalha por mim próprio e para defender o meu Governo e as políticas que conduzimos, e lutar contra quem quer criminalizar as bandeiras políticas principais do governo a que eu presidi, nomeadamente TGV, a reparação e reconstrução das escolas, nomeadamente esses inquéritos que querem fazer às PPP, e inquéritos relativamente às rendas", disse.

Segundo disse, "curiosamente são tudo matérias que a direita política criticou", que "faziam parte da controvérsia politica", mas que nunca lhe passou pela cabeça que "alguém tentasse agora instrumentalizar a justiça para criminalizar essas politicas". "Não terão sucesso, não terão sucesso", vincou.

O ex-governante socialista argumentou que, por exemplo, em 2010, o "Estado usou a sua 'golden share' para travar um negócio de venda da Vivo, no Brasil, que punha a PT fora do Brasil", e fê-lo em "defesa do interesse nacional, fê-lo contra os interesses do grupo Espírito Santo, contra interesses, legítimos naturalmente, privados".

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Acrescentou que, entre 2010 e 2014, "altura em que acabaram a 'golden share' sem a substituir por nada", foi o período "em que as disponibilidades financeiras da PT mais foram aplicadas no BES", passando "de 50%, em 2010, para 98%". "E agora querem-me atribuir as responsabilidades por isso? Desculpem, estão enganados, isso é uma fantasia que não resiste, como se sabe muita gente acompanhou e sabe que não foi assim, é uma mentira que tem perna curta", concluiu, abandonando o local.

O Ministério Público acusou na quarta-feira José Sócrates por 31 crimes, repartidos por corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada.

Além de José Sócrates, foram acusados na Operação Marquês o empresário Carlos Santos Silva, amigo de longa data e alegado testa de ferro do antigo primeiro-ministro, o ex-presidente do BES Ricardo Salgado, os antigos administradores da PT Henrique Granadeiro e Zeinal Bava e o ex-ministro e antigo administrador da CGD Armando Vara. No total, na Operação Marquês foram acusados 28 arguidos, 19 pessoas e nove empresas, por um conjunto de 188 crimes.

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