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Justiça

Pedro Dias condenado a 25 anos de prisão

08.03.2018 16:33 por Lusa
Homicida de Aguiar da Beira conheceu hoje a sentença, no Tribunal da Guarda. Foi condenado à pena máxima, por cúmulo jurídico.
Foto: Sábado
Foto: Sábado
Julgamento Pedro Dias
Foto: Nuno André Ferreira
Foto: Nuno André Ferreira

Pedro Dias e guardas

Pedro Dias foi condenado a 25 anos de prisão, a pena máxima segundo a lei portuguesa, por cúmulo jurídico. O "Homicida de Aguiar da Beira" foi condenado por diversos crimes, entre os quais três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada, um crime de homicídio na forma tentada contra o GNR António Ferreira, o sequestro agravado deste militar, os crimes de ofensas corporais agravadas contra Lídia Conceição, de furto da viatura e armas da GNR, de roubo simples e furtos qualificados e posse de arma proibida. Foi absolvido do crime de roubo de munições.

Dias foi condenado a diferentes penas pelos crimes cometidos. Pelo homicídio qualificado de Carlos Caetano levou 21 anos de prisão; pelo de Luís Carlos Silva Pinto, 22 anos de prisão; pelo de Liliane Pinto, 22 anos de prisão. Já pelo homicídio qualificado na forma tentada de António Ferreira, foi condenado a 11 anos e 6 meses de prisão. Pela ofensa à integridade física consumada de Lídia da Conceição, levou 2 anos de prisão. 
 
Pedro Dias também terá de pagar indemnizações. Aos pais de Liliane Pinto, terá de pagar 80 mil euros. Pela morte de Luís Pinto, também terá de pagar o mesmo valor: 80 mil pelo morte de Luís Pinto. O total das indemnizações que Dias terá de pagar chega aos 545 mil euros. Os pais de Carlos Caetano terão uma indemnização de 80 mil euros e mais 25 mil euros a cada um.

O Tribunal da Guarda emitiu hoje a sentença, onde se encontra a ser julgado desde Setembro de 2017. Pedro Dias não esteve presente na leitura da sentença alegando problemas de saúde (hérnias na coluna), tendo assitido à mesma através de vídeo-conferência. Do outro lado da câmara, Pedro Dias assistiu à leitura sentado numa cadeira, com óculos, na presença de um guarda.

No fim da sentença, o juiz questionou: "Sr. Pedro Dias, percebeu a decisão do tribunal?", ao que o arguido disse que sim. 

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Durante a leitura da sentença, o juiz Marcos Gonçalves frisou: "A morte de Carlos Caetano resulta dos ferimentos do disparo. A morte de Luís Pinto resulta das lesões traumáticas do disparo. As lesões traumáticas de Liliane Pinto, que ficou em estado vegetativo resultam dos disparos. A morte de Luís Pinto foi muito rápida devido aos ferimentos provocados e não terá tido consciência do seu estado após o disparo. Entende o tribunal que se pode justificar a alteração e agravamento da qualificação de alguns dos crimes", cita o Correio da Manhã

O Ministério Público tinha pedido a pena máxima de 25 anos de prisão para Pedro Dias, por considerar incoerente e inconsistente a versão que este apresentou em tribunal, tendo o Tribunal concordado com a pena pedida.

Durante o julgamento, Pedro Dias confessou ter disparado sobre dois militares da GNR - Carlos Caetano, que morreu, e António Ferreira, que ficou ferido -, mas rejeitou responsabilidades nas mortes de dois civis que viajavam na Estrada Nacional (EN) 229, Liliane e Luís Pinto.

A factura do Lidl que tramou Pedro Dias

Eram 11h44 de dia 11 de Outubro de 2016. Pedro Dias tinha dormido pouco mais de uma hora naquela noite, que juntou copos, roubos e quatro tentativas de homicídio - de dois militares da GNR e um casal.

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Nas alegações finais, a advogada de Pedro Dias, Mónica Quintela, pediu que este fosse condenado pelo homicídio privilegiado do militar Carlos Caetano e pela tentativa de homicídio simples do militar António Ferreira, e absolvido dos crimes relativos a Liliane e Luís Pinto.

No que respeita a Lídia da Conceição, que surpreendeu Pedro Dias quando estava escondido numa casa de Moldes, no concelho de Arouca, a advogada considerou que o crime a aplicar deve ser o de ofensas corporais simples.

O advogado Pedro Proença, que representa o militar António Ferreira e os familiares de Carlos Caetano, também pediu a pena máxima de 25 anos de prisão, lamentando que Pedro Dias tenha feito um depoimento que "roça o nonsense e é um filme de muito mau gosto".

A mesma pena pediu o advogado dos familiares de Liliane e Luís Pinto, João Paulo Matias, apesar de considerar que a "justiça terrena" não será suficiente para o punir.

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As vezes que as autoridades deixaram escapar Pedro Dias

Às 11h29 do dia 11 de Outubro de 2016, Pedro Dias já tinha disparado sobre quatro pessoas, provocando morte imediata a duas delas. Fugia no quarto carro que usava esse dia quando parou e entrou num supermercado Lidl, em São Pedro do Sul. Percorreu com calma o corredor dos frescos, as arcas frigoríficas, viu produtos de higiene.


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