Os moralistas
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor
26 de maio de 2018

Os moralistas

Ser socialista, pelos vistos, é um activo que funciona bem no mercado imobiliário. Tão bem que o Largo do Rato devia abrir uma agência para ajudar os lisboetas sem cartão partidário na busca de uma habitação condigna

Ah, os moralistas! Como não gostar do espectáculo que eles oferecem de vez em quando? Entre a fauna progressista, o filósofo Jean-Jacques Rousseau ocupa um lugar sagrado: o homem que desejava libertar a humanidade da opressão abandonou os próprios filhos na roda?
Acontece. Sobretudo quando temos a cabeça enfiada nas nuvens e nos esquecemos do "pequeno pelotão" que habita cá em baixo. Conheço casos.

Pablo Iglesias, o comediante-mor do Podemos, é o último da fornada. Como todos os moralistas, ele exibe com vigor aquela mistura fatal de jactância ética e hipocrisia privada.
Aqui há uns anos, quando o ministro da Economia de Espanha, Luis de Guindos, comprou um apartamento por 600 mil euros, Iglesias não gostou. "Quem confia num homem assim?", perguntava o pequeno Robespierre espanhol, irado com semelhante afronta social.

Soube-se agora que Iglesias e a sua partenaire, a porta-voz do partido Irene Montero, cometeram a mesma afronta – e pelo mesmo preço, o que não deixa de ser um pormenor irónico. Perante isto, que fez Iglesias? Invocou os seus elevadíssimos princípios virginais para se atirar da janela – ou, no mínimo, para desaparecer da paisagem política?

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