Onze pontos sobre Angola
Nuno Rogeiro
25 de novembro de 2018

Onze pontos sobre Angola

Poupem-nos ao romantismo de cordel, ao populismo de papel, ao “nacional-porreirismo” de hotel, na relação entre Portugal e Angola. É preciso, entre os dois países, um diálogo de adultos: realista, franco, mutuamente profícuo, que não fique aquém das palavras nem além do desejável. Eis alguns contributos para o debate

1 A memória é quase sempre selectiva. Entre Portugal e Angola, em matéria historiográfica, e no que toca aos estados, não se trata de branquear o mal, ou de exagerar o bem, mas muito simplesmente de não perder tempo em matérias que nunca gerarão consenso.

2 Angola está ainda em fase de "reconstrução nacional". Pode parecer uma eternidade, se recordarmos que a independência tem 43 anos, quase o triplo do que a humanidade já viveu neste milénio. Mas o prolongado período justifica-se pelas guerras intensas e pazes frágeis, ou ilusórias, que se seguiram. Portugal e os portugueses precisam de entender isso, e relativizar tudo o que possam afirmar sobre "países em crise".

3 Não há nada mais martelado do que a existência, entre Lisboa e Luanda, de uma língua comum. Mas além da mera enunciação, certo é que se trata de um património imenso. Permite entender, comunicar, retransmitir e planear de forma imediata. Ajuda a mover massas e a promover uma rede de comunicação e informação sociais que levaria séculos a solidificar. É um valor que não pode ser esquecido, mas que precisa de ser cuidado todos os dias, com ou sem acordo ortográfico.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Tópicos Nuno Rogeiro 760
Opinião Ver mais