O histerismo da distopia paranóico-apocalíptica da inutilidade de (quase) tudo o que fazemos: corona
Paula Cordeiro
10 de março de 2020

O histerismo da distopia paranóico-apocalíptica da inutilidade de (quase) tudo o que fazemos: corona

Como fogo de palha, o vírus espalhou-se e nunca, como agora, esteve tão perto. Nestas semanas dei por mim, várias vezes, a imaginar uma distopia apocalíptica

Confesso-me adepta de filmes classe b, de cariz apocalíptico, nos quais o herói, bonitão hollywoodesco, salva todos ou acaba sozinho, derrotando o vilão. Também perco tempo com um outro tipo, os filmes catástrofe, dos quais saímos todos ilesos e as personagens também. Como no cinema, corona parecia demasiado longe para se tornar realidade, mesmo nesta aldeia global que as auto-estradas da informação vieram encurtar, tornando-a cada vez mais pequena. Muito pequena e interligada. Como fogo de palha, o vírus espalhou-se e nunca, como agora, esteve tão perto. Nestas semanas dei por mim, várias vezes, a imaginar uma distopia apocalíptica, no rescaldo de um vírus que não nos matava mas que aniquilava a cultura do instantâneo e o consumo supérfluo que hoje conhecemos, fechando-nos em casa, arrasando a economia, destruindo o paradigma de uma sociedade digital ainda baseada na presença física.

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