O fim da democracia?
Cristiano Cabrita
25 de maio de 2020

O fim da democracia?

Por que razão países como a Tailândia, o Bangladesh, a Turquia, ou a Ucrânia devem adotar orientações democráticas quando os exemplos vindos dos EUA e da Europa são fracamente maus?

No Verão de 1989, Francis Fukuyama publicou, no The National Interest, um artigo intitulado O Fim da História?, no qual argumentava que se estava a assistir não somente ao fim da Guerra-fria, mas ao «fim da História». Ou seja, ao culminar «da evolução ideológica da humanidade» através da «universalização da democracia liberal como a forma final de governo humano». 

Alguns anos mais tarde, em O Fim da História e o Último Homem, Fukuyama veio esclarecer o significado do seu raciocínio. O que era sugerido diferia substancialmente da maior parte das interpretações feitas na altura, sobretudo num ponto: o significado da «História». 

Para o autor, a História como um conjunto agregado de acontecimentos não chegaria ao fim, mas antes a História entendida como um «processo evolucionário, coerente» e «único». A intenção não era alegar que existiriam mudanças dramáticas na sociedade implicando, por conseguinte, o fim de tudo o que nos rodeia mas, sim, a defesa da ideia de que não existiria mais progresso nos princípios orientadores e nas instituições a ela associados.

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