Hugo Van Der Ding
07 de junho de 2019

Lisboa e a classe média

Bem sei que «classe média» é um conceito moderno, mas, para efeito deste artigo, vou considerar de classe média todas as pessoas que não tenham nascido mortas, ou que não tenham morrido de escorbuto ou de fome ou das duas coisas durante a infância. Portanto, o grupo demográfico que conseguiu sobreviver até à idade adulta.

O governo de António Costa aprovou um Programa de Arrendamento Acessível, que está a ser criticado, não sem alguma razão, por favorecer maioritariamente as pessoas da classe média com rendimentos mais altos. Mas não é absurdo: que sentido faz favorecer as pessoas de rendimentos mais baixos, quando, no fundo, aquilo pior nunca fica? «Já não se pode morar em Lisboa!». «Isto nunca esteve tão mal!». «Trabalha-se para sobreviver», gritou a classe média. Mas será que nunca esteve pior? Será que a vida nunca foi tão dura para a classe média? Tendo em conta a ancestralidade do país, será necessário para apurar tal, comparar-se com outros períodos da História de Portugal. Foi o que fiz, tomando como exemplo um casal lisboeta de classe média do século XVII. Ou dezassete para quem não domina a numeração romana. Ou do período que vai de 1601 a 1700, para quem nem sequer domina a medição do tempo.

Bem sei que «classe média» é um conceito moderno, mas, para efeito deste artigo, vou considerar de classe média todas as pessoas que não tenham nascido mortas, ou que não tenham morrido de escorbuto ou de fome ou das duas coisas durante a infância. Portanto, o grupo demográfico que conseguiu sobreviver até à idade adulta.

E tomo como exemplo a cidade de Lisboa porque o campo era o campo, as pessoas nasciam no campo, trabalhavam no campo e depois morriam no campo.  Quer dizer, também havia pescadores. Nesse caso, as pessoas nasciam no mar, trabalhavam no mar e depois morriam no mar. Enfim, tudo um bocado sem grande história. E escolho Lisboa e não outra cidade de Portugal, porque quem quiser saber como lá se vivia no século XVII, é questão de visitá-las agora.

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