Beira-mar
Pedro Duro
22 de fevereiro de 2019

Beira-mar

A propósito de carros elétricos, viagens espaciais e tantas coisas que muitos acham uma parvoíce.

O horizonte familiar de uma terra firme a perder de vista dá-nos a ilusão de uma transição lenta, se nos fizermos ao caminho. Há um poder ficar e um poder voltar nesse lugar chão de um ali que sabe não esquecer-se do aqui. Já o horizonte infinito, do céu ou do mar, é uma interpelação revigorante, mas, para muitos, demasiado ansiosa porque nos desliga ao levar-nos para fora de pé.

Por isso, preferimos a beira-mar. É o melhor de dois mundos: a segurança do estar aqui e a frescura de um ali que nos toca como uma brisa sem verdadeiramente nos levar a lado nenhum.

Prudentemente, mesmo quando nos fazemos ao mar, levamos a terra connosco, numa parafernália de ligações virtuais e casulos reais que nos transportam e ao nosso mundo como se fôssemos pequenas ilhas destacadas da terra firme que se deixou. Já não se vai à Lua com tão pouco poder informático, já não se navega sem motor, porque, de outro modo, muitos serão "de peixes mantimento".

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