A questão não é “se”… a questão é “quando”
Paula Cordeiro
15 de abril de 2020

A questão não é “se”… a questão é “quando”

Imaginem que isto se arrasta, que passamos a ser várias coisas e profissões em simultâneo, sempre no mesmo local e as mesmas pessoas, para nossa protecção. Há um filme assim e o protagonista quase fica maluco.

Um mês depois, instala-se a rotina, uma espécie de novo normal. Vou na terceira versão deste artigo que questiona e não responde, procura sem encontrar, baseando-se na proclamada esperança de que tudo vai ficar bem. 

Fechados em casa, acumulamos tarefas, multiplicamos funções mas, nunca, como agora, valorizámos tanto o que sempre entendemos como garantido. Imaginem que isto se arrasta, que passamos a ser várias coisas e profissões em simultâneo, sempre no mesmo local e as mesmas pessoas, para nossa protecção. Há um filme assim e o protagonista quase fica maluco.

O ano de 2020 vai ficar para a história como o ano em que o mundo parou, por um vírus que, só aparentemente, provocou a já existente crise de sustentabilidade: social, financeira, económica e, principalmente, ambiental. Mesmo os negacionistas terão de reconhecer que o ar está mais limpo e o horizonte mais azul, que os pássaros cantam a plenos pulmões e que, entre o betão, a natureza respira. No último mês, o movimento pendular nas grandes cidades diminuiu entre -122% (Viena) e -71% (Lion), diminuindo, também as emissões para a atmosfera (em Lisboa a diminuição é de -116%). Estamos, temporariamente, a exercer uma menor pressão ambiental, que pode não ser suficiente face à situação em que nos encontramos, qual navio com rombo e sala das máquinas em chamas: se retomamos a normalidade engrossamos o número de infectados, para os quais, em número massivo, não haverá resposta e, se ficamos em casa, o rombo económico leva-nos ao fundo. E agora?

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