A novela da vida real
Ângela Marques Jornalista
10 de janeiro de 2020

A novela da vida real

Com a desculpa de que aquela roupa não se ia engomar sozinha, ela fugia para o quarto logo depois do jantar

Todos os domingos ela era uma canção do Chico Buarque e, no maior elogio que se pode fazer ao quotidiano, fazia tudo sempre igual: jantar na mesa, roupa na corda, loiça na máquina, roupa na tábua. De ferro na mão, suspenso quando a realidade ou um assomo de vapor a isso obrigavam, ela sorria para a televisão - porque todos os domingos, no maior elogio que se pode fazer à literatura, ela entrava num livro de George Orwell. Ela adorava o Big Brother.

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