A China e os EUA no pós Covid 19: o fim da ordem demoliberal?
Cristiano Cabrita
11 de maio de 2020

A China e os EUA no pós Covid 19: o fim da ordem demoliberal?

Se as dinâmicas permanecerem inalteráveis, o futuro sistema internacional poderá assumir uma configuração bi-multipolar, com dois centros de poder distintos dos demais – os EUA e a China.

É comummente creditada a um filósofo Japonês do século XVII, Miyamoto Musashi, a seguinte frase: «A percepção é forte e a visão é fraca. Em estratégia, é importante ver o que está distante como se estivesse próximo e ter uma visão distanciada do que está próximo». A mensagem de Musashi é eloquente e sábia. Sobretudo, porque explica muito do debate que atualmente percorre os corredores políticos e académicos sobre o futuro da ordem internacional pós-Covid 19.

Desde logo, porquanto existe uma linha de análise que consagra a existência de um nexo de causalidade entre as ondas de choque saídas de Wuhan e a ascensão da China à liderança da ordem internacional. Até certo ponto, a abordagem em causa vê a "diplomacia das máscaras" como o ponto de partida para a projeção do poder global da China, sustentado num novo tipo de "soft power".

Consequentemente, no limite, a validação daquela premissa significaria que estaríamos perante o início do fim da ordem democrático-liberal construída pelos EUA. Ora, o cerne da questão está precisamente aqui. Que arquitetura sistémica emergirá desta pandemia? E, se houver lugar a uma restruturação hierárquica de poder, qual será o lugar ocupado pelos EUA e pela China?

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