2018, o ano do humor
Guilherme Geirinhas
27 de dezembro de 2018

2018, o ano do humor

Fala-se do melhor do cinema, da televisão, da música, do teatro, da moda, até dos smoothies. Mas quando chega a altura de rebobinar 2018, as pessoas esquecem-se do humor.

Chegado o fim do ano, chega também a altura dos habituais tops que imortalizam o ano que passou. 

A Rolling Stone fará uma lista dos 10 melhores artistas emergentes da neo-pop islandesa. A NiT compilará os 10 melhores miradouros com vista para uma orelha da Madonna. A Time Out dirá quais foram os 10 melhores filmes independentes em que Timothée Chalamet degustou um pêssego. É bem provável que até o The Guardian faça um top 10 dos melhores tops 10 de 2018.  

Há, no entanto, uma área cinzenta onde os melhores nunca são celebrados: o humor. Talvez porque o humor não compreenda os números. Porquê a obsessão com o 10? Quem decidiu que a partir do décimo primeiro já não contava? Humor e números nunca se deram bem. No humor, oitenta e sete é maior do que cem. Cem é demasiado certinho. Dizer cem não tem graça. Dizer oitenta e sete é divertido. Os franceses, ainda mais divertidos do que nós, ao oitenta chamam quatre-vingts (quatro-vintes). Julio Verne, também francês, não imaginou A Volta Ao Mundo Em Oitenta Dias, imaginou-a em quatro voltas de vinte dias. É mais fácil uma pessoa organizar a mala assim. 

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