Grande demais para falhar
Pedro Marta Santos
07 de julho de 2020

Grande demais para falhar

Se um de nós falha por cêntimos a prestação da casa ou do carro, passará a dormir num WC portátil ou a ir para o emprego de triciclo. Os grandes não.

Estou decidido a contrair um empréstimo de 3 milhões de euros, na esperança de o estourar de forma tão retumbante que o converta numa dívida de 300 milhões. Caso triunfe nesse intento – não é difícil, gosto de quadros do Roy Lichtenstein, de projetores de cinema caseiros e de Ruinart Rosé –, serei grande demais para falhar. A TAP é grande demais para falhar. O Novo Banco e o Montepio também. Joe Berardo, Luís Filipe Vieira ou Nuno Vasconcellos são igualmente grandes (nem que tenham de mudar de continente por uma temporada). Se um de nós falha por cêntimos a prestação da casa ou do carro, passará a dormir num WC portátil ou a ir para o emprego de triciclo. Os grandes não. Com o patriotismo na estética e o rótulo "Portugal" no organigrama, de cérebro emparedado entre a testa e o bigode ou numa leveza esvoaçante de Mexia, olhos fitos no horizonte como um messias, as megaempresas, os superempresários e os grandes gestores não falham. Até Cronos os ajuda, amaciando as costas da justiça para que os processos que os afligem se arrastem por décadas.

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