Da estupidez em 2021
Pedro Marta Santos
05 de janeiro

Da estupidez em 2021

Quando tirarmos as máscaras, o maior desafio de 2021 será dinamitar o monólito das explicações simples para responder à complexidade do mundo. A vida é complicada. Porque não haveriam de o ser a linguagem e o pensamento?

O maior desafio de 2021 é o da pandemia da ignorância.

O efeito Flynn é a asserção, polémica mas maioritária, de que o valor do Q.I. das populações mundiais tem subido de forma consistente desde o pós-guerra. Nas últimas duas décadas, os especialistas em ciências cognitivas constataram uma inversão do efeito Flynn, sobretudo nos países mais desenvolvidos. Para Christophe Clavé, um guru da estratégia empresarial e professor na INSEEC Business School of Economics, grupo francês especializado no ensino de gestão com filiais em Londres e São Francisco, uma das chaves do problema é a linguagem.

Com o empobrecimento do vocabulário dos millennials (nascidos entre os anos 80 e o final do século XX) e a redução do léxico da geração Z (nascidos entre a segunda metade dos 90 e 2010), não são apenas as palavras que perdem o valor comunicativo. É o próprio pensamento. Falar e, sobretudo, escrever no presente, sem projecção no tempo ou recurso ao condicional, o desaparecimento da pontuação, o abandono das maiúsculas e a longa quarentena de verbos sofisticados, antes em liberdade criativa, são causas e sintomas de um problema maior: a redução na capacidade de desenvolver e reproduzir ideias complexas.

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