A ética do capitalismo
Pedro Marta Santos
26 de novembro de 2019

A ética do capitalismo

Segundo dados de 2017 do Banco de Portugal, 70% dos recursos do País pertencem a 1/5 da população. Pior: os 20% de famílias mais pobres têm apenas 0,1% da riqueza

Até ao início dos anos 80, com o forte sentido comunitário do pós-guerra e os alicerces do Estado social, acreditava-se que o capitalismo poderia ter uma ética. O avanço inexorável da globalização, a osmose da banca de crédito com a banca especulativa e a longa noite de sexo sem amor entre a economia e a finança arrumaram de vez essa hipótese.

O lucro é cego, não aventa hipóteses morais. O problema é que, como no caso da sentença de Churchill sobre a democracia, o capitalismo é o pior sistema com a excepção de todos os outros. Há alguns optimistas moderados que persistem em acreditar numa ética do mercado livre. É o caso do economista britânico Paul Collier, cujo O Futuro do Capitalismo foi agora publicado em Portugal pela Dom Quixote.

Criado numa família humilde de Sheffield, Collier é professor em Oxford e nas Sciences Po de Paris, onde ensina os filhos das elites metropolitanas que critica. Para ele, a chave que abre a porta do futuro é contrabalançar a prosperidade com a ética, assim reduzindo as desigualdades distributivas e mitigando a desregulação financeira, a fuga aos impostos ou o egoísmo endémico multiplicado pelas revoluções tecnológicas.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Opinião Ver mais