Notícia

Pedro Marta Santos

Dar banho ao cão

06.03.2018 07:00 por Pedro Marta Santos
Desde o início de 2018, tenho o cão mais bonito e simpático do mundo, um bichon maltês chamado Baltasar (o leitor que me desculpe a vaidosa frivolidade).
Foto: Sábado

Desde o início de 2018, tenho o cão mais bonito e simpático do mundo, um bichon maltês chamado Baltasar (o leitor que me desculpe a vaidosa frivolidade). Branco como os glaciares da Terra do Fogo, é um rei mago da tolerância. Além de ter levado um especialíssimo (e obrigatório após as vacinas básicas) banho na semana passada, por uma sorridente especialista que me cobrou os olhos da cara – o Baltasar, ar deleitado como nórdico em salão de massagens tailandesas, apreciou todos os segundos –, levo-o a passear nestes dias de chuva e só me lembro de Rui Rio.

Afinal, as metáforas líquidas colam-se-nos à pele: somos compostos por 60 a 65% de água. Rio, que tem (e gosta de ter) a subtileza de uma catarata, prometeu um "banho de ética" à política portuguesa mas levou antes com um duche gelado chamado Elina Fraga, ficando a boiar nas águas fétidas do hemiciclo após o grupo parlamentar do seu partido conceder históricos 39% de votos – não se via banhada tão épica desde 1978 – na eleição do seu próprio líder, Fernando Negrão.

Houve mesmo dois deputados, inscritos na lista de Negrão, que não votaram nesta lista, passando entre os pingos da chuva. Com tanta sauna involuntária, começo a simpatizar com o novo presidente do PSD. Sobretudo depois do beijinho de Judas de António Costa (Costa é daqueles que ama toda a gente mas não se apaixona por ninguém) a propostas de reformas que jamais acontecerão. No seu corajoso mas cego coup de foudre pelas altas tensões ("é disto que eu gosto!"), Rio pode um dia esquecer-se do secador na banheira. Ou, do banho de ética, arrisca-se a não passar, infelizmente, de dar banho ao cão, submergindo para sempre em 2019.


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