O poder a todo o custo é o que tem feito crescer o Chega (e não só)
José Pacheco Pereira Professor
01 de novembro de 2020

O poder a todo o custo é o que tem feito crescer o Chega (e não só)

O principal inimigo do Chega não é a esquerda, mas sim a direita moderada, o centro-direita e o centro-esquerda e em particular a social-democracia. O erro de uma aliança com o Chega é juntar dentro da mesma casa Abel e Caim

Se o PSD dos Açores entende que se justifica, para evitar que o PS governe nas ilhas, que se faça uma aliança com o Chega, para conseguir obter o poder, pode lá "chegar", mas comete um erro político que o partido regional e o nacional pagarão caro. O Chega, como o mais perigoso Vox em Espanha, são partidos de uma nova vaga que nem é conservadora, nem é liberal e, se for de direita, é de extrema-direita. O que impulsiona o Chega é um movimento populista clássico, que já se manifestou várias vezes em Portugal, à esquerda e à direita, mas que hoje encontra novas formas de expressão utilizando a dependência de muitas pessoas das redes sociais no debate político, com os efeitos associados de relativização da verdade, de desprezo pelos factos, de ressentimento social, de violência verbal (para já) e de tábua rasa de valores traduzida numa "guerra cultural" contra a igualdade, pela discriminação contra as mulheres e as pessoas LGBT. O efeito de radicalização é considerável.

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