A honra perdida dos grandes partidos
José Pacheco Pereira Professor
13 de maio de 2018

A honra perdida dos grandes partidos

Sócrates e os seus amigos são o caso mais grave, estou de acordo. Mas as suspeitas e os indícios, mentiras e mentirolas, comportamentos eticamente reprováveis, mesmo que não ilegais, acompanham-no desde quando era um obscuro dirigente local do PS no Interior.

José Sócrates deixou o PS, mas o PS não deixou José Sócrates. Pode estar muito incomodado pelos estragos eleitorais da personagem, mas está bastante menos incomodado por aquilo que ele fez, porque ele o fez lá dentro. Lá dentro, com a complacência ou, pelo menos, a cegueira dos seus. Se não fosse assim já o podiam ter expulsado, sem precisarem da bofetada com a luva negra da sua demissão.

Os partidos grandes como o PS e o PSD correm a expulsar os seus militantes por mil e um motivos, uns com pretexto estatutário, outros por delito de opinião, todos por razões políticas. E não expulsam mais porque parece mal, porque a vontade está lá na clubite partidária. Mas os partidos grandes como o PS e o PSD não correm a expulsar os seus militantes quando estes incorrem em graves falhas éticas, cometem ilegalidades e são suspeitos sérios de corrupção, ou mesmo condenados. Esperar pela decisão da justiça é justificado nalguns casos, mas noutros o conhecimento público de actos condenáveis, mesmo que não sejam crimes, é tão evidente que o esperar pela decisão da justiça é uma fuga às responsabilidades que um partido deve ter, em particular com militantes que ascendem ao poder nas suas listas ou por sua escolha.

Não é difícil fazer uma longa lista de pessoas que no PS e no PSD praticaram actos condenáveis no plano ético e político, algumas que estão em casa com pulseira electrónica, outros não podem sair à rua, outros andam pela sombra dos muros a ver se ninguém se lembra deles, outros, como são e sempre foram demasiado lampeiros e não têm vergonha nenhuma, continuam como se nada acontecesse. Estes homens e estas mulheres, dirigentes locais, autarcas, deputados, governantes, presidentes dos partidos, fizeram mais estragos aos seus partidos do que muitos erros políticos clamorosos.

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