Fogos, mitos e realidades
Nuno Rogeiro
12 de agosto de 2018

Fogos, mitos e realidades

Vir para o Algarve em clima de tragédia tem uma vantagem: obrigar a pensar numa emergência continuada, que se arrisca a piorar todos os anos, e que exige uma disponibilidade total, permanente e ininterrupta dos chamados “poderes públicos”. Nada de embandeirar em arco

Rumo ao Sul, achei que devia passar por Monchique. E seguir os primeiros dias de confronto com o incêndio que destruiu o maior pulmão verde do Algarve.
Muitos meios, muitas corporações, muita vontade, muito sacrifício, muita galhardia, mas infelizmente também muitas perguntas, ainda sem resposta.
Por razões que não vêm agora ao caso, acompanhei de perto, há uma década, os fogos florestais no condado de San Diego, na Califórnia, e em especial a situação em Cedar.

Um dos problemas que se colocaram então tornou-se clássico: saber se os meios aéreos estavam a ser usados de forma eficaz, ou apenas para publicidade política.
Tive longas conversas com alguns dos operacionais no terreno, ligados às forças de bombeiros, aos pilotos civis e militares de helicópteros e aviões, e aos chamados smokejumpers, unidades especiais de pára-quedistas, largados em zonas de alto risco.

Lembrei-me agora de iguais debates com responsáveis portugueses, em situações semelhantes.
Duas verdades comezinhas merecem ser lembradas.
Primeiro, a intervenção aérea sobre os fogos não é uma varinha mágica: helicópteros ligeiros com os chamados baldes Bambi, por exemplo, são meras gotas de água num mar de chamas.
Em segundo lugar, muitas vezes é impossível o uso aéreo, mesmo que os meios existam em quantidade e qualidade. Ventos altos e excesso de fumo impossibilitam a visão e o ataque.

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