Esticar a corda
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor
03 de dezembro de 2017

Esticar a corda

O que espanta no episódio do IMI não é a insensibilidade típica de António Costa, é uma estranha estupidez estratégica, que aliás contamina várias acções do Governo.

existe uma sequência do filme Zorba, o Grego que sempre me encantou – antropologicamente falando: acontece quando uma mulher está nos últimos momentos de vida e um grupo de abutres – abutres humanos, entenda-se – começa a rondar a casa da moribunda. Quando esta solta o último suspiro, começa o choro histriónico da praxe e a pilhagem automática da herança.

Entendo que estas práticas fossem comuns nos confins de Creta. Mas custa vê-las no Portugal contemporâneo com a nossa frente de esquerda.

Em 2017, o País sofreu incêndios devastadores por incúria do Estado. Pois bem: o mesmo Estado prepara-se para cobrar IMI sobre casas que foram consumidas pelas chamas. Todos os tostões são importantes? Claro que não: a receita seria sempre diminuta, sobretudo quando comparada com semelhante mancha imoral. Mas o Governo e a extrema-esquerda não hesitaram em chumbar uma proposta da oposição que pretendia poupar as vítimas a essa pilhagem indigna.

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