João Pedro George
João Pedro George
02.05.2021

O nariz

É mais importante possuir um bom nariz que ter bom olho, pois a vista pode enganar-nos, mas o nariz raramente. Um nariz que se preze é capaz de farejar as injustiças, as manigâncias, as aldrabices, a banha da cobra, o gato por lebre

25.04.2021

O cérebro da paixão

Os seres humanos não são apenas as suas ideias, crenças e convicções. São também os cheiros que arrastam consigo, como histórias que se repetem e que detêm a chave do enigma que levam dentro. São a prova, superiormente filosófica (com perdão da filosofia), de que existe algo que comanda as suas vidas.

18.04.2021

O nosso cheiro

O mau cheiro dos outros, que nos atinge como um soco na cara, sem qualquer possibilidade de defesa, é uma força poderosa e sem contemplações, como a kryptonita para o Super-Homem.

11.04.2021

Ai! Que preguiça!...

A preguiça é a força que mais depressa torna as coisas obsoletas, pois foi com ela em mente que todas as invenções, das mais simples às mais complexas, mudaram as anteriores.

04.04.2021

O salazar

Tal como o salazar da cozinha tentou introduzir a ordem na preparação dos alimentos, afastando os profissionais da desordem, da agitação e da perturbação social (entenda-se: as crianças), o tirano de Santa Comba Dão tentou acabar com a suposta anarquia nas ruas.

28.03.2021

Sexo na cozinha

Na sociedade reprimida salazarista, fazer sexo noutro móvel que não fosse a cama tinha um alcance revolucionário, simbolizava a libertação sexual do casal e a subversão da ordem imposta pelo Estado Novo. Daí que as mesas amplas tenham sido proibidas pela censura

21.03.2021

Sexo na banheira

Por contrariarem o princípio de realidade, os filmes de Hollywood seguem a regra ditada por John Ford a respeito do Velho Oeste: quando os factos desmentem a lenda, publique-se a lenda.

14.03.2021

O supositório

Na minha maneira liberal de observar as manifestações quotidianas, o supositório funciona como uma alegoria do modo humano de fazer as coisas, onde a fronteira entre civilização e barbárie é mais fina e estaladiça que massa folhada no forno

07.03.2021

Listas de listas

O ser humano é um implacável classificador. Não pode dispensar as listas. Não passa sem elas. As listas são inerentes ao cérebro humano, traduzem o nosso impulso de, simultaneamente, unir e demarcar, aproximar e afastar, associar e dissociar

28.02.2021

Big MEC

O Miguel escreve sem preocupação de exercício literário, sem pensar no que disse fulano e sem pensar no que fulano dirá. Não faz gestão da carreira. Vive afastado da luta para ser isto ou aquilo, para ganhar este ou aquele prémio

21.02.2021

Naufrágio intelectual

A historiadora Bonifácio e a respectiva clientela da academia estão longe de poder ser consideradas uma escola de virtudes liberais. Sempre viveram à sombra e à custa da bananeira estatal, ao menos para manterem o seu prestígio e a sua importância na sociedade.

25.01.2021

Letra Livre

Por causa da espantosa acumulação de papelada impressa, fiquei a dever dinheiro, menti à família, à namorada, aos amigos. Perdi trabalhos, a amada deixou-me, incapaz de lidar com a desordem e a desarrumação da livralhada

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