Borlas & porreirismo:  é a cultura, estúpido!
João Pedro George
31 de outubro de 2018

Borlas & porreirismo: é a cultura, estúpido!

Com o embuste da ampliação do CV, vários festivais, eventos culturais e desportivos, instituições públicas, universidades, empresas, jornais, revistas, estações de televisão e de rádio, etc., usam e abusam de voluntários e estagiários a quem não pagam um único cêntimo pelas tarefas que asseguram

Há alguns anos, convidaram-me para escrever um texto que integraria uma obra que seria publicada pela Imprensa Nacional/Casa da Moeda. Antes de dizer sim ou não, perguntei qual seria a contrapartida financeira por esse meu trabalho, ao que me responderam, balbuciando: "Bem, trata-se de publicar na Imprensa Nacional…" Depois de, durante vários segundos, me fazer de parvo (nunca conheci ninguém que conseguisse fazer-se de parvo com tanta facilidade como eu), e perante a insistência bacoca do meu interlocutor sobre as vantagens, para o meu curriculum, de publicar numa editora como a Imprensa Nacional, retorqui que valorizava mais a ideia de ter o meu frigorífico cheio todas as semanas que a própria existência de uma editora prestigiada como a Imprensa Nacional. A equipa universitária que estava a coordenar o livro, note-se, trabalhava no âmbito de um projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

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