As intercalares devem pôr a nu a impopularidade recorde de Trump: apenas 32% dos americanos aprova a sua presidência, valor mais baixo desde que há registos diários do desempenho dos Presidentes dos EUA. Os democratas vão ganhar a Câmara dos Representantes por larga margem (estão 12 pontos à frente e basta vencerem o voto popular por uns 3 ou 4). A grande dúvida reside no controlo do Senado. É preciso uma derrocada republicana em estados onde Trump ganhou por muito. Mas é mesmo isso que as sondagens revelam.
A pouco mais de um mês das intercalares, cresce a possibilidade dos democratas tomarem o Senado (ainda que, para que tal aconteça, a queda dos republicanos em estados onde Trump bateu Kamala em 2024 por mais de 10 pontos percentuais tenha de ser brutal). Ohio, Iowa, Texas, Carolina do Norte e Alasca são cinco casos de provável triunfo dos candidatos democratas ao Senado, em território "super Trump" há apenas dois anos. Mas, mesmo assim, a aritmética da mudança partidária no Capitólio é complicada. Mesmo vencendo esses cinco (não podem falhar nenhum e não partiram como favoritos em nenhum), os democratas não podem perder qualquer lugar de que disponham. E isso pode acontecer no Michigan, com Abdul El-Sayed, muçulmano da ala esquerda, a disputar taco a taco com o republicano Mike Rogers, que já tinha perdido a corrida anterior por muito pouco. E há o caso do Maine, estado muito democrata nas presidenciais, mas onde a republicana "não MAGA" Susan Collins ainda pode puxar dos galões, na reta final (passou toda a corrida atrás nas sondagens, mas pode beneficiar da troca de candidatos do lado democrata, depois das polémicas que fizeram cair o excêntrico Graham Platner). Troy Jackson tem menos tração mediática e, neste momento, tudo pode acontecer. Outubro vai decidir (quase) tudo sobre quem vai controlar o Senado. Já na Câmara dos Representantes, a vitória democrata é certa. Só falta saber a dimensão da goleada. A oportunidade para os democratas está lá. Saberão agarrá-la?
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