Rio quer um cheque em branco?
Eduardo Dâmaso Director
22 de fevereiro de 2018

Rio quer um cheque em branco?

Rui Rio saberá que existe uma modalidade de violação do segredo de justiça muito em voga que passa pelo benefício directo aos visados pelas investigações judiciais? O novo líder do PSD tem de dizer ao que vem e não refugiar-se em generalidades

Rui Rio quer traçar um caminho diferente na oposição. A sua mentalidade germânica dá-lhe uma noção de tempo diferente da que impera na política portuguesa. Por isso, quer fazer acordos de regime, por isso fala tantas vezes no "superior interesse nacional", por isso acha que as eleições legislativas de 2019 são apenas um "pormenor" no seu caminho e que o PSD tem de se adaptar à sua ideia de criar uma grande coligação parlamentar em torno dos ditos acordos e não ficar em sobressalto com a questão da liderança. Rio olha para Merkel e para o SPD, não para os seus adversários internos, que desvaloriza.

Tudo isso faria algum sentido se Rio fosse convincente nas suas ideias, na consistência e no detalhe das suas reformas, na clareza da equipa e do seu discurso. Rio tem qualidades pessoais e políticas indiscutíveis mas só isso não basta para que o PSD e os eleitores lhe passem um cheque em branco.

O superior interesse nacional tem muitos intérpretes, desde logo cada um e todos os portugueses enquanto comunidade. Empunhar essa bandeira exige mais ideias do que aquelas que Rio deu. Peguemos na famosa reforma da justiça. O que quer realmente Rui Rio? Do que tem dito apenas ficam as suas indignações com o segredo de justiça e a celeridade das investigações. Convinha ser um pouco mais claro. Rio saberá que a morosidade não é um problema da justiça penal nos crimes de sangue? Saberá que os julgamentos se realizam muito menos de um ano depois da prática dos crimes?

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