Quando Sócrates quis fazer uma quinta
Eduardo Dâmaso Director
31 de agosto de 2017

Quando Sócrates quis fazer uma quinta

Enquanto líder do PS e primeiro-ministro, Sócrates tinha um plano tentacular de limitação da liberdade de expressão e de concentração do poder político e económico. Estava à vista de todos os que queriam ver lá pelos idos de 2009

Muitos não quiseram ver em tempo real mas o plano era claro pelos idos de 2009. Sócrates, enquanto líder do PS e primeiro-ministro, tinha um plano tentacular de limitação da liberdade de expressão e de concentração do poder político e económico. Queria fazer de Portugal a sua quinta.

Distribuiu os amigos pela banca, criou grupos económicos que viviam do Estado, meteu alguns a comprar títulos de comunicação social, comprou fidelidades dentro das redacções de jornais, deu o braço a Ricardo Salgado e utilizou o seu amigo Santos Silva a torto e a direito ( com os benefícios correspondentes para este), montou um exército de comentadores e opinadores, escolheu directores de jornais e televisões, procurou esmagar quem se lhe opusesse ou meramente discordasse da sua opinião.

É com Sócrates que ocorrem mudanças de grande importância, seja pela privatização controlada seja pela consolidação do poder do Estado, em empresas como a EDP, Portugal Telecom, Cimpor, Estaleiros de Viana e tantas outras. Sócrates era o imperador a quem os capitalistas representados pelos gestores e facilitadores do regime (quase só advogados influentes e políticos na reforma) iam pedir batatinhas. Tudo isso ruiu mas não acabou com a queda de Sócrates. A hidra ainda tem cabeças muito activas e poderosas que manejam a opinião pública e alguns bastidores na Justiça, na política e nos negócios.

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