Os caminhos cruzados de Rio e Costa
Eduardo Dâmaso Director
12 de outubro de 2017

Os caminhos cruzados de Rio e Costa

Rio construiu uma aura eleitoral que funcionaria na perfeição. Seria uma espécie de Cavaco pelo lado das contas públicas, mas com rosto humano, centrado socialmente em políticas habitualmente reivindicadas pela esquerda

Rui Rio avança finalmente para a luta pela liderança no PSD em termos que lhe são muito favoráveis. Depois de anos a alimentar o mito sebastiânico do homem capaz de endireitar o País, Rio construiu uma aura eleitoral que funcionaria na perfeição. Seria uma espécie de Cavaco pelo lado das contas públicas mas com rosto humano, centrado socialmente em políticas habitualmente reivindicadas pela esquerda. Talvez não esperasse, porém, aquilo que hoje se vive no País: um PS e um António Costa cada vez mais fortes.

A derrota de Passos, mas sobretudo a mortificação lenta de um PSD demasiado inclinado para a direita, criaram as condições ideais para o avanço de Rio. Aliás, em menos de duas semanas, o simples enunciar do seu avanço deixou as tropas do aparelho ainda dominado pelo passismo um pouco desgovernadas. Nem Luís Montenegro, nem Paulo Rangel, conseguiram avançar, deixando a tarefa para o voluntarismo de Santana Lopes que, pese embora a sua enorme experiência política, arrisca-se a travar um combate excessivamente marcado pela negativa.

Perante um partido que suspira por voltar a ver uma luz, pequena que seja, ao fundo de um túnel que leve ao poder, Santana Lopes terá de ir muito mais além da construção de um frentismo anti-Rio. Um dos trunfos poderá estar na desconstrução da empatia política entre Rui Rio e António Costa.

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