O inimigo genial
Pedro Marta Santos
31 de março de 2020

O inimigo genial

Vivemos no planeta das bactérias e dos vírus. Elas e eles foram os primeiros. Elas e eles serão os últimos. Somos meros convidados no seu habitat natural: não precisam de nós, e podem matar-nos a qualquer momento. Mas não sobreviveríamos um dia sem eles

Se tantos insistem tanto tempo em classificar a presente crise de saúde pública como uma guerra, será útil recordar que o confronto existe há pelo menos 10 mil anos. Desde a Revolução Neolítica, com o abandono da vida nómada de caçadores-recolectores a favor do sedentarismo de trabalho agrícola comunal e, a seguir, das trocas comerciais entre centros urbanos demograficamente densos, as epidemias tornaram-se o reverso da medalha da prosperidade. Quanto mais civilizados ficámos, mais pandemias provocámos. As maiores geraram baixas inimagináveis para o quadro de pensamento contemporâneo, mesmo com a alucinante circulação de pessoas e bens no mundo pós-industrial, mesmo se não sabemos como acabará o terrível surto epidémico da covid-19.

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