Do semipresidencialismo vigilante
Nuno Rogeiro
05 de novembro de 2017

Do semipresidencialismo vigilante

“No More Mr. Nice Guy!”, dirão alguns sobre o papel de Marcelo no rescaldo dos fogos. Mas a anunciada vigilância presidencial sobre o Executivo, igual à de Sampaio sobre Santana, não tem bases sentimentais: é um dever legal

Um antigo responsável pela Protecção Civil diz que o incêndio de Pedrógão, sob liderança adequada, poderia ter sido extinto em três horas.
Continua sem se saber quem impediu o fecho da estrada da morte. Nem sabemos se a mesma tinha as bermas limpas.
Não sabemos porque não foram usados, no SNPC/ANPC, os telefones de satélite disponíveis, no fatídico dia de Junho.
Não sabemos, no mesmo dia, quantos funcionários estavam ao serviço, na sede da Autoridade.

Desconhecemos quem, na mesma altura, decidiu não desviar meios aéreos de incêndios menores.
Não sabemos quem, em Outubro, e face ao alerta prévio do IPMA, se responsabilizou pela redução radical de aviões e helicópteros, e quem se esqueceu de accionar, preventivamente, o CPM/ERCC europeu.
Sabemos que, na última instância, o adido de defesa de Marrocos colocou à disposição de Portugal os Canadair do reino, não tendo sido atendido.
Podemos e devemos discutir tudo o que não foi feito, o que foi feito de forma incompleta ou mal feita, nos últimos séculos, ou só desde 1974.

Marcelo Rebelo de Sousa

O PS teve ministros da Agricultura entre 1975 e 1980, 1995 e 2002, 2005 e 2011, 2015 a 2017. O CDS teve-os de 1981 a 1983, e de 2015 a 2017. O PSD possui-os de 1980 a 1983, de 1984 a 1995, e de 2004 a 2005.
Mas as responsabilidades de 2017 são diferentes.
Pela primeira vez na história das repúblicas portuguesas, tivemos uma hecatombe de vítimas civis.
Até hoje estávamos habituados às perdas de casas e matas. Contabilizávamos os hectares ardidos. E sobretudo chorávamos a morte de militares e bombeiros: 69, entre 1966 e 2013. Mas, felizmente, tínhamos na história o sacrifício destes, os protectores, para que não desaparecessem civis, os protegidos. 

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