Notícia

Alexandre Pais

Os supostos charmosos de há 30 anos

16.05.2018 09:00 por Alexandre Pais
“A memória é o único paraíso do qual não podemos ser expulsos” – Jean Paul, escritor alemão, 1763-1825
Foto: Sábado

Nos anos 80, as discotecas investiam muito na animação, tentando captar clientes e mantê-los. E não havendo TV privada, jornais e revistas eram essenciais na promoção dos eventos, particularmente aqueles títulos, poucos, que escalavam jornalistas para cobrir o social – a informação dita cor de rosa, então já próspera na imprensa espanhola, tinha por cá na Nova Gente, semanal, e na Élan, mensal, os veículos mais interessados no fenómeno.

O corte do bolo teve Isaltino de Morais como protagonista; a página da reportagem na Élan abria com a foto dos 20 premiados

Um dos profissionais que se destacavam no sector era Luís Fernandes, o relações-públicas – hoje seria diretor de marketing... – do Cotton Club, que funcionava numa cave lisboeta, perto da Avenida de Roma. Uma das festas que o Luís organizava era a da atribuição de prémios aos Mais Charmosos da capital, grau com que fui anualmente distinguido, por certo como retribuição pela divulgação da cerimónia. A invocação de múltiplos afazeres poupou-me, até que não pude desculpar-me mais e, em 1990, recebi o troféu, que guardo com algum receio que em casa alguém o descubra.

Um grupo de charmosos, com o escriba e Lili Caneças; Luís Fernandes entregou-me o prémio, com Ricardo Tavares como testemunha...

Não me senti só, pois Isaltino Morais, Manuela Sousa Rama, Lili Caneças, Sousa Cintra, Lena Coelho, Cristina Arvelos, as já desaparecidas Teresa Sachetti e Fátima Raposo, e Ricardo Tavares – sim, o atual coordenador-geral de Meios da Cofina, ah, pois é! – foram também apanhados no radar do charme. Parece que foi ontem? Não, o tempo passou mesmo, hoje não haveria quem ousasse. 
OBSERVADOR
Tempo de partir 

Com esta crónica, chegam ao fim 14 anos de escrita semanal na SÁBADO, sendo quatro de edição de Parece que foi ontem, 200 evocações de pequenos episódios, boa parte deles – como é o caso do último, aqui ao lado – tendo-me como discreto protagonista.

Mantive reserva sobre os derradeiros 15 anos, pus de lado histórias antigas de menor dignidade, evitei recordações tristes e tentei não ser injusto. Optei por citar pessoas pela positiva e por não me entregar a acertos de contas. O que fiz de errado não pode, infelizmente, ser corrigido, e sei que fui muitas vezes condicionado pelo tempo e pelas circunstâncias. Daí que não alimente ódios, nem tenha pedras no sapato.

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Mas esta despedida não será a definitiva na comunicação social, pois seguirei ligado à Cofina e aos habituais textos de opinião no Correio da Manhã e no Record. Só por mais um tempo, pois pedi a compreensão do Octávio Ribeiro para que possa reformar-me de vez – dando lugar a cabecinhas mais frescas e mais brilhantes – na posse das minhas capacidades e não quando começar a escrever pataratices. E de volta e meia já dou com algumas...

A frase é de autor anónimo, mas própria para final de ciclo: não digo adeus, agradeço-vos apenas por terem feito parte da minha vida. E continuem a ler a SÁBADO, que surgirá, para a semana, renovada e mais forte! Foi um prazer, leitor.


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