Notícia

Alexandre Pais

Em luta contra a injustiça do esquecimento

07.03.2018 07:00 por Alexandre Pais
“Esqueço sempre, mas o corpo lembra: em breve será dezembro” – Thiago de Mello, poeta brasileiro, Porantin do Bom Socorro, 1926
Foto: Sábado

Filho do famoso Raul Soares de Figueiredo, Tamanqueiro – futebolista internacional que brilhou no Olhanense e no Benfica – Raul António Leandro de Figueiredo, que por estes dias completou 88 anos, pouco diz hoje, aliás como o pai, aos adeptos do desporto-rei.

Os capitães Figueiredo e Passos trocam galhardetes na inauguração do Restelo
Ele fez parte das equipas do Belenenses que iluminaram a minha década de 50 com o empolgante futebol que via nas Salésias. Jogou ao lado de Matateu e Di Pace, e chegou também à Seleção Nacional. Era um central de grande poder físico e de uma entrega rara à camisola.

A entrega do Record de Ouro, em 2011
O Raul integra uma vasta lista de ídolos esquecidos pelos clubes que representaram e que não honram o esforço das anteriores gerações. Notei isso com muitos daqueles a quem entregámos o Record de Ouro e que viram com esse ato quebrar-se a pedra do esquecimento a que foram condenados.

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Há sete anos, tive a felicidade de receber Raul Figueiredo na redação para lhe prestar a homenagem merecida. E senti como foi importante para ele esse reconhecimento.

A mensagem de um homem de caráter
Afinal, sofremos ambos com a perda do título, em 1955, quando o sportinguista Martins, o sexto violino, empatou o jogo quase no final e impediu o Belenenses de ser campeão. Com o Raul dentro de campo, sem poder evitar o golo fatal, e eu e o meu pai em desespero com o relato da rádio... É assim a vida.

OBSERVADOR
A maldição dos aparelhos
No regresso à ribalta, António Capucho não poderia ser mais claro: "Estão a tentar fazer a cama a Rui Rio". Afinal, o ex-presidente da Câmara de Cascais conhece bem essa terreno, já que só não fez a cama a Passos Coelho porque lhe faltavam lençóis. Mas a lata de Capucho vai mais longe ao defender que os deputados sociais-democratas que não concordam com a linha política traçada por Rio deviam afastar-se do Parlamento – e alguns, coitados, iriam viver de quê?

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Curiosamente, o ex-ministro de Soares e Cavaco não se demitiu do partido quando dele divergiu, ou mais tarde, ao candidatar-se, em Sintra, por uma lista autárquica independente, o que levou o PSD a expulsá-lo – medida cuja anulação agora solicitou, correndo em apoio do novo líder.

É nesta incoerência que vive o maior partido da oposição, feito de uma massa muito semelhante, aliás, à do partido do Governo, como veríamos se António Costa fosse derrotado mais cedo do que se conta e o PS precisasse de recorrer ao velho baronato, sempre refém dos filhos do aparelho, uma teia controladora que impede a renovação interna para proteção dos interesses dos seus apaniguados.

No caso do PSD, é precisamente o aparelho que domina o grupo parlamentar e se constituiu já como a primeira força de bloqueio a Rui Rio. Que gigantesca tarefa espera o homem! 


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