Tenho um amigo…
Pedro Duro
19 de janeiro de 2018

Tenho um amigo…

"Só nos funerais tomamos consciência de que há certos exageros que não têm em conta que andamos cá pouco tempo, que o "até breve" e o "temos de nos encontrar" estão cheios de boa vontade, mas podem perder-se na lufa-lufa."

Tenho um amigo para quem todas as desculpas são boas para não gastar dinheiro. Entre os épicos do exagero, está a moeda de 100 escudos que sobreviveu um verão inteiro na praia da Vieira, sem que um gelado fosse comprado, porque não queria que uma primeira despesa o fizesse descambar…

Ele mudou muito, mas o espírito esteve sempre lá, pelo que é frequente ouvir frases como: "o teu carro não é modesto, é miserabilista", ou "ele (o carro) quer morrer; deixa-o morrer". A doença tem sido tratada com a ajuda e o incentivo de muitos, mas a sua fama ultrapassa a realidade ao ponto de no final do jantar lhe dizerem: "desculpa, se escolhi um sítio muito caro".

Achando-se quase curado, depois de todo este diagnóstico e de um esforço (muito contido) até de renovação do guarda-fatos, o momento crítico aconteceu no aeroporto em Lisboa, este dezembro, quando, com o seu, até então, único casaco de lazer (comprado em 2001…), anunciou aos filhos que, afinal, não iam passar o ano à Serra da Estrela, mas à Disney. Não lhes passava pela cabeça que o pai cometesse tamanha loucura e um dos filhos, com apenas 7 anos, saiu-se com isto: "Pai, tu só gastas dinheiro connosco". Era oficial: a situação era de uma gravidade extrema.

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