Notícia

Pedro Duro

O incrível mundo de Gumball

29.08.2018 12:08 por Pedro Duro
O tema importantíssimo era…? Uma parvoíce de um gato azul bastante idiota e do seu inteligente peixe com pernas.
Foto: Sábado

«Pai… Pai! Anda ver!»

«Não posso; não vês que tenho coisas para fazer?!», rosno da cozinha enquanto impregno as minhas mãos de alho e cebola, orgulhoso do meu refogado quase sempre igual para carne ou peixe, embebido em polpa de tomate, fingindo que, agora, até sei cozinhar.

«Está bem, eu paro. Anda, anda!».

O tema importantíssimo era…? Uma parvoíce de um gato azul bastante idiota e do seu inteligente peixe com pernas. A imagem volta a animar-se e as gargalhadas na sala são gerais. Até eu me rio perante o exacerbamento do disparate, terminando com um «pronto, pronto; agora não posso ver mais» (se aquilo pega, tenho de lavar o tacho e voltar a picar outra cebola…).

Agora já digo que não vou, mas, à noite, depois de tudo arrumado, se não houver filme para ver com o mais velho, este fixa-se nos que antecederam o seu nascimento, numa arqueologia "netflixiana" do cinema da geração dos pais. Ela vai para o quarto pintar todas as folhas que encontra, num afã de me levar a comprar mais uma resma. Já o incondicional do Gumball, se não estiver a ver qualquer coisa numa aplicação no meu computador, há dias em que se acerca do leitor estendido na cama para descrever ao pormenor piadas, caretas, disparates do gato azul ou de outro personagem qualquer. Nessas sessões do palrador incansável, há mímica, em pé ou no chão, entrecortada por um «e depois ele disse», a que se segue uma gargalhada. Eu, que nem sempre sei exatamente do que ele está falar, às vezes largo um «vai lá, então»; mas outras fico apenas preso naquela coreografia cheia de «viste, pai?» e de «olha, olha agora!», ou «percebeste?».

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Depois de muitos minutos de espetáculo, o Clark Kent, com os seus óculos de nerd, pijama de Super-Homem e caracóis de querubim, enche-me de abraços e afasta-se por entre gargalhadas bamboleando-se brincalhão.

Ora, eu não vi, não percebi, mas fiquei com aquele jeito gravado, o sorriso terno, a alegria genuína de quem vive num incrível mundo e o quer trazer até mim, com o carinho atrevido de quem diz: «sabes que és o melhor pai do mundo? Também és o único que tenho».

Dali a quinze dias haverá mais.

Parabéns, Mateus.


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