Notícia

Pedro Antunes

Menos Estado, Mais Responsabilidade

20.08.2018 21:13 por Pedro Antunes
"Claro que dizer mal é barato, mas verdadeiramente o que interessa é reduzir este Estado, que nos trata como escravos fiscais para se perpetuar. Torná-lo mais eficiente e amigo dos cidadãos."
Foto: Sábado

O 112 não atende, a Proteção Civil não se organiza, o São João tem o serviço oncológico nos corredores, os hospitais têm meses de listas de espera, os Alfas não pendulam nem têm ar-condicionado, o Banco de Portugal não supervisiona... e esta semana os tribunais não fecham casos por falta de papel e canetas! E quem é que é responsabilizado? Ninguém!

Temos mais de 90 mil funcionários públicos em regime de comissão de serviço ou nomeação. 90 mil "jobs for the boys", com salários bem acima do português médio. Temos dezenas e centenas de institutos e organismos que duplicam e triplicam atividades. Cada um com um Conselho de Administração, cada um com (bons) carros de serviço, muitos nas zonas nobre das cidades.

Temos um Ministério da Educação completamente dominado pela FENPROF, de tal forma que a piada é chamar Ministro ao Mário Nogueira. Temos um sistema de colocação de professores que ninguém (fora PCP e FENPROF) entende o que é que defende, e professores a ser tratados ao pontapé!

Temos um Ministério da Saúde que não paga as suas contas, de tal forma que os fornecedores até já incorporam esses atrasos no seu preço. Temos um sistema de saúde em que o pior é ter um problema crónico não grave, que todos os dias nos tira um pouco mais de qualidade de vida, um pouco mais da alegria de viver... e horas atrás de horas em salas de espera mal equipadas.

Temos um Primeiro Ministro que em plena época de incêndios, com erros crassos e objetivos na gestão da Proteção Civil, ainda tem a arrogância de tornar o caso leve com comparações de velas de aniversário.

pub

Isto é o "Mais Estado", defendido acerrimamente por todos os partidos no Parlamento. Partidos que preferem contratar mais funcionários, mais votos, em vez de pôr o Estado a funcionar bem. Partidos que não valorizam os funcionários públicos, nem se preocupam no seu desenvolvimento via mérito. Partidos que preferem um estado paternalista, aumentando a sua capacidade de controlo da nossa vida, do nosso dinheiro, da nossa saúde e educação... até do nosso transporte! E falham, em toda a linha, falham miseravelmente.

E depois, de quatro em quatro anos há eleições em que ninguém perde. Do PCP ao Bloco, do CDS ao OS, passando pelo PSD... até os Verdes festejam os seus dois deputados... não percebem que estão apenas a festejar a desresponsabilização de tudo o que correu mal nos anos anteriores, ou os fundos que os contribuintes vão pagar para lhes manter a máquina partidária (em alguns casos falida, como no PS e CDS) a trabalhar.

É normal que festejem. Metade dos portugueses nem se deu ao trabalho de ir votar. Acham inútil..., mas esses mesmos partidos depois andam mais preocupados com a Marine LePen na WebSummit, do que com 50% de abstenção, ou com os cidadãos que já nem no 112 podem confiar.

Claro que dizer mal é barato, mas verdadeiramente o que interessa é reduzir este Estado, que nos trata como escravos fiscais para se perpetuar. Torná-lo mais eficiente e amigo dos cidadãos. É aí que entra a sociedade civil. Silenciosamente vai aparecendo, aquela que não depende do Estado e que contribui todos os dias para o desenvolvimento de Portugal.

Uma sociedade de responsabilidade e com muita, mesmo muita iniciativa.

pub


pub
pub