Presos na máscara, vítimas da desinfecção
Paula Cordeiro
22 de maio de 2020

Presos na máscara, vítimas da desinfecção

Fala-se muito do normal mas, dizem também, o normal era o nosso maior problema. Nestes dias questiono-me sobre o que é, afinal, o normal. 

A máscara, que nos esconde parte do rosto, passou a ser essencial. Para além de uma comunidade que fica (ainda mais) alheada da comunicação porque não pode ler os lábios ou observar as expressões faciais, perdemos o sorriso e, sem sorrir ou partilhar um sorriso, não poderemos estar bem. Foi-nos imposto um regresso a casa que, para alguns foi uma oportunidade para fazer mais devagar, o que também provoca um certo tipo de stress, resultante do tempo passado entre quatro paredes, sozinho ou dividindo a mesa da sala com quem mais tem de trabalhar, sempre no mesmo local. Agora, que podemos sair, vemos o mundo numa ansiedade colectiva que individualmente escondemos, porque ainda não questionámos as consequências pessoais, sociais e institucionais do eventual colapso do que tomámos como certo: a sociedade.

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