Notícia

Luís Aguilar

Not so Special!

23.08.2018 09:00 por Luís Aguilar
"Mas depois de Special One e Happy One, Mourinho pode muito bem voltar a ser o The Fired One. Zidane está a espreita…"
Foto: Sábado

Já se fazem apostas. Mourinho sai no final da época, Mourinho é demitido no fim do ano, Mourinho não chega ao Natal. Há muitas ideias, prognósticos e palpites, mas poucos – ou quase nenhuns – apontam para a continuidade do português no Manchester United até 2020 (ano em que termina o contrato). E bastaram duas jornadas para que a crise se instalasse em Old Trafford.

A derrota no terreno do Brighton (3-2) mostrou mais do mesmo: falhas defensivas arrepiantes, com os centrais Lindelof e Baily (ambos já contratados na era Mourinho) a revelarem-se desastrosos; a irregularidade de Martial (o francês, herdado de Van Gaal, anda perto da nulidade) e a apatia de Pogba e Lukaku (autores dos golos), bem distantes do futebol alegre que mostraram ao serviço das suas selecções durante o último Mundial. Mas, acima de tudo, voltou a ver-se um United impotente, preso num futebol de dúvidas e sem capacidade para assumir uma postura ofensiva e dominadora, mesmo depois de estar a perder 3-1 ao intervalo.

É certo que Mourinho avisou para muitos destes problemas no mercado de transferências. Queria vender Martial, queria um central, queria reforços que lhe permitissem acompanhar as contratações de Manchester City e Liverpool. Desta feita, porém, a direcção dos reds foi em sentido contrário. Depois dos fortes investimentos das duas últimas temporadas (perto de 400 milhões), Mourinho viu apenas três jogadores chegarem à equipa: Fred (59m), Diogo Dalot (22m) e o veterano guarda-redes Lee Grant (1,7m). Poderá alegar-se que City e Liverpool não deram menos a Guardiola e Klopp, respectivamente, nas duas últimas épocas e que este Verão voltaram a desembolsar fortunas. Ainda assim, o onze do United que perdeu em Brighton custou quase 500 milhões de euros. Do outro lado estava uma equipa, segundo o site Transfermarkt, com um valor de mercado a rondar os 26 milhões. Claro que o dinheiro nem sempre ganha jogos, mas este United – mesmo sem os reforços pedidos por Mourinho – tem obrigação de mostrar mais e jogar muito melhor.

A juntar a tudo isto, aumentam os problemas com o director-geral Ed Woodard. Como se não bastassem as visões diferentes sobre o investimento no plantel para esta temporada, agora o dirigente decidiu descer ao balneário, após a derrota em Brighton, e falar com os jogadores, aproveitando a presença de Mourinho nas entrevistas rápidas, num claro sinal de desrespeito para com o líder da equipa. Na sequência do episódio, fonte do clube apressou-se a dizer ao The Telegraph que Mourinho não tem o futuro em risco, mas em futebol, como se sabe, esses votos de confiança costumam significar o contrário.

E assim regressam as teorias sobre a malapata de Mourinho nas terceiras temporadas em cada clube. Ou não as cumpriu (FC Porto e Inter), ou a crise rebenta no terceiro ano (segunda passagem no Chelsea e Real Madrid). A excepção foi a primeira vez em Stamford Bridge, onde conquistou Taça de Inglaterra e Taça da Liga, embora tenha sido afastado no início da quarta temporada. Quando foi contratado pelo United, o clube parecia ter a vontade de iniciar uma ligação de muitos anos - a lembrar o ciclo de Alex Ferguson -, após erros de casting como David Moyes e Van Gaal. Mas depois de Special One e Happy One, Mourinho pode muito bem voltar a ser o The Fired One. Zidane está a espreita…

pub

Instagram: @luis.aguilar.oficial


pub
pub