O assalto ao banco
João Paulo Batalha
19 de junho de 2020

O assalto ao banco

Há meses que se prepara, à vista de todos, o assalto do Governo ao Banco de Portugal. O Ronaldo das Finanças arrisca-se a acabar a carreira como mais um comissário clientelar.

Mário Centeno e António Costa teriam muito proveito em ler a tese de doutoramento de Susana Coroado (que, registe-se o interesse, além de minha amiga é a vice-presidente da Transparência e Integridade, a que presido) sobre a captura dos reguladores em Portugal. Na bancada do Bloco de Esquerda também seria uma leitura útil.

A tese demonstra duas modalidades usadas para a captura de reguladores que são (ou deviam ser, nos termos da lei) independentes quer dos mercados que regulam quer do poder político: a primeira, mais conhecida, é a captura dos reguladores pelos regulados. A segunda é a captura dos reguladores pelos políticos. As duas coisas que não podiam acontecer são a regra em Portugal.

É neste pano de fundo opaco, promíscuo e endogâmico que interessa ver a negociata de instalação de Mário Centeno no Banco de Portugal. Porque o que António Costa tenta disfarçar como uma "perseguição" contra o Ronaldo das Finanças é na verdade mais uma demonstração do completo vazio de cultura institucional que corrói a democracia portuguesa e verga a ética pública à suprema lei dos interesses clientelares.

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