Não me chame Hortense que me põe tense
João Paulo Batalha
18 de setembro de 2020

Não me chame Hortense que me põe tense

A montanha de tramoias do PS em Castelo Branco pariu um rato amedrontado. Um caso de estudo de compadrios e cobardias, em vésperas da chuva de ouro europeu.

A notável investigação de José António Cerejo no Público, sobre os negócios lamacentos de Hortense Martins, deputada e cacique do PS em Castelo Branco, é o retrato do país que temos de deixar de ser. Urgentemente. Um país corrupto, promíscuo, paroquial e sabujo, de gente baixa de mãos untadas, com um povo empobrecido, deixado à margem e no silêncio.

A história é esta: Hortense Martins – de quem o leitor nunca ouviu falar na vida mas é deputada há 15 anos – acumula as funções parlamentares com a capitania do PS beirão (essa escola de lideranças que nos deu José Sócrates), mais uns negócios familiares. Desde 2010, abocanhou mais de 275 mil euros de fundos comunitários para dois projetos turísticos em Castelo Branco.

O dinheiro foi atribuído à Investel, a empresa da deputada e do seu pai, pela Adraces, uma associação de municípios encarregue de distribuir dinheiro europeu – e constituída por correligionários socialistas, incluindo da Câmara de Castelo Branco que então tinha entre os vereadores Luís Correia – nada menos que marido de Hortense Martins e recentemente corrido do cargo de presidente por ordem judicial, por encaminhar contratos públicos para o próprio pai. Tudo gente idónea.

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