Muito medo e pouca vergonha
João Paulo Batalha
25 de setembro de 2020

Muito medo e pouca vergonha

O pudor do Parlamento na publicação da auditoria ao Novo Banco contrasta com a falta dele na lei que tentou limpar minimamente a regulação.

Muito medo
Lembram-se do deputado do PS (hoje ministro) Pedro Nuno Santos que em 2011 ia pôr as pernas dos banqueiros alemães a tremer? Pois esta semana foram as pernas dos deputados que tremeram. Face a um requerimento do Bloco de Esquerda para publicar na íntegra a auditoria ao Novo Banco – a auditoria pedida pelo Governo e paga por todos nós –, PS e PSD (com a abstenção do CDS e da Iniciativa Liberal) chumbaram

O Bloco Central jurou que até é a favor da publicidade e da transparência, e que as matérias que dizem respeito aos (e saem do bolso dos) contribuintes devem ser públicas e escrutináveis. Mas neste caso é melhor não. 

Porquê? Não se sabe bem. O Novo Banco (o auditado, recorde-se) não gosta da ideia. Diz que há matérias de sigilo bancário. Os serviços jurídicos do Parlamento não têm a certeza que haja, mas também não têm a certeza que não haja. Dizem que não é possível saber "com margem confortável". Passa a outro e não ao mesmo. 

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