Página em branco.
João Laborinho Lúcio
01 de julho de 2020

Página em branco.

Não pensei ao longo dos últimos dias sobre o que havia de escrever. Limitei-me a abrir uma página em branco e deixar que fosse ela a dizer-me o que escrever.

Há 24 terças-feiras que cumpro o mesmo ritual: abro uma página em branco. Abro uma página em branco no meu computador. Gravo essa página em branco com a data de amanhã que, para quem lê, é a data de hoje. Acrescento-lhe um título, e deixo fluir para o papel o que fui trabalhando, consciente ou inconscientemente, ao logo dos último 8 dias.

Hoje (ontem) não foi assim. Abri uma página em branco. Gravei-a com a data correta. Não lhe dei um título. Não pensei ao longo dos últimos dias sobre o que havia de escrever. Limitei-me a abrir uma página em branco e deixar que fosse ela a dizer-me o que escrever. Afinal uma página em branco é um livro de oportunidades que se abre.

Ao mesmo tempo que abri uma página em branco, criei o mesmo espaço para as notas musicais que escorrem da pequena coluna que ornamenta o ambiente do meu improvisado escritório. Não escolhi a música. Deixei que viessem ter comigo as notas que lá estavam prontas para sair. E foi assim que o Jacob Schwarz Trio me disse: "I Could Write A Book". E não é que é mesmo verdade. E não é que deixar espaço e tempo para que "as coisas" aconteçam nos ajuda a fazer "as coisas" acontecer!

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