Era uma vez um ano e depois outro
João Laborinho Lúcio
30 de dezembro de 2020

Era uma vez um ano e depois outro

2020 veio mostrar que a mudança é uma constante da vida. Resistimos à mudança e mudamos quando assim é necessário. Em 2021 podemos ousar ir mais além. Não nos ficarmos na espuma das ondas e aceitar que passar a rebentação nos pode trazer a profundidade.

Eis-nos chegados ao último artigo de 2020. Com este, são 44 os artigos em que muitas questões se colocaram, questões que foram evoluindo ao sabor dos tempos e procurando ir ao encontro das respostas ainda por inventar. Não sei quantas foram as respostas que se lhes seguiram. Sei que a todas as perguntas procurei dar as minhas respostas e nelas encontrar um caminho para seguir.

A primeira de todas as perguntas aqui feitas e a que está sempre presente é: "Quem és tu?". Várias vezes a coloquei e várias vezes evoluí sobre ela. Fico sem saber quantos "tu" se deixaram levar pela pergunta mas sei, que no meio das minhas leituras, encontrei uma resposta que hoje partilho: "Somos história para nós mesmos. Relatos. Eu não sou esta massa instantânea de carne deitada no sofá que tecla a letra "a" no notebook; sou os meus pensamentos repletos de vestígios da frase que estou a escrever, sou as carícias da minha mãe, a doçura serena com que o meu pai me educou, sou as minhas viagens de adolescente, as leituras que estratificaram o meu cérebro, os meus amores, os momentos de desespero, as minhas amizades, as coisas que escrevi, que ouvi, os rostos que me ficaram impressos na memória. Sou sobretudo aquele que há um minuto bebeu uma chávena de chá. Aquele que há um instante escreveu a palavra "memória" no teclado deste computador. Aquele que há um segundo imaginava esta frase que agora estou a completar. Se tudo isto desaparecesse, eu ainda existiria? Sou este longo romance que é a minha vida" (A Ordem do Tempo, Rovelli, Carlo).

Agora que mais um ano civil termina – e que ano! – o que gostaríamos de ter respondido àquela pergunta? Que desafios enfrentámos, que lições aprendemos, o que nos fez crescer, o que queremos recordar e o que queremos celebrar? Todas estas perguntas sobre o que foi este nosso ano ajudam-nos a construir a resposta sobre quem somos, resposta esta que, por sua vez, nos ajuda a contruir a jornada que queremos viver no ano vindouro.

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