O jogo da Europa
Francisco Rodrigues dos Santos Advogado e presidente da Juventude Popular
08 de setembro de 2016

O jogo da Europa

Foi preciso apagarem a chama Olímpica para o Parlamento Europeu nos informar que participou nos jogos do Rio de Janeiro um País chamado União Europeia, o qual se distinguiu por ter ganho o maior número de medalhas

Foi preciso apagarem a chama Olímpica para o Parlamento Europeu nos informar que participou nos jogos do Rio de Janeiro um País chamado União Europeia, o qual se distinguiu por ter ganho o maior número de medalhas. Talvez seja abusivo este excesso de linguagem, diria eu. Bem sabemos que a desagregação europeia inspira cuidados. Só lamento discordar desta propaganda integracionista avariada em que poucos se revêm. Que só agrava os problemas de autonomia e identidade dentro da União. Sem querer parecer saudosista e tacanho (estilos com os quais não me identifico), apetece-me dizer que o meu País venceu apenas uma de bronze. Mesmo sendo um europeísta – euro moderado (ou contido), como gosto de me descrever - continuo a ser português e a prescindir das outras todas. Porque não há metal (nem marketing barato) que pague o meu sentimento de pertença, em primeiro lugar, a Portugal. Este episódio podia ser só um pormenor de mau gosto, sem um relevante significado político por trás.
Conhecendo o processo evolutivo da União a partir da segunda metade do século XX, rapidamente percebemos que não será tanto assim.

O primeiro princípio para a edificação de uma União entre Estados (com vários séculos de História) é o do inexorável respeito pela sua natural diversidade. Nos termos da qual se permita descobrir pressupostos sólidos que consubstanciem uma unidade que seja sustentável, conquanto aceite pacificamente pelos cidadãos. A Europa não é a expressão unívoca de um só povo. É o desenho de uma geometria variável entre vários povos, com culturas e tradições diferentes, sob a capa de várias bandeiras, com vontades díspares, conceitos estratégicos, alguns deles concorrentes e até antagónicos, que não querem as mesmas coisas, que buscam soluções distintas para o seu crescimento e desenvolvimento.

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