Fabian Figueiredo Dirigente do Bloco de Esquerda
23 de fevereiro de 2019

A melhor forma de roubar os Correios é administrando-os

Manda o bom-senso que os assaltos sejam detidos. A única forma de o fazer, neste caso, é recuperar o controlo público dos CTT. O país pode muito bem dispensar o pagamento de uma renda fixa a Francisco Lacerda e Manuel Champalimaud. Já saquearam que chegue.

Em 2005, poucos anos antes da explosão da crise financeira, um académico norte-americano, com uma vasta experiência acumulada em regulação bancária, publica um livro que ficaria célebre por explicar que a melhor forma de assaltar um banco é a partir da sua administração (The Best Way to Rob a Bank is to Own One).

Milhões de portugueses podem não ter lido a obra, mas percebem que a tese de William K. Black não excetua o nosso país. A história das falências e dos gigantescos buracos nas instituições bancárias nacionais como o BPN, BPP, BCP, Banif, BES ou mesmo a Caixa Geral de Depósitos e o Montepio Geral, não deixa margem para dúvidas: os metralhas estavam sentados nos conselhos de administração - que, convém referir, beneficiaram de sobremaneira da versão lusa do Mr. Magoo ser governador do Banco de Portugal.

A pirataria financeira custou-nos, só entre 2008 e 2016, 14,6 mil milhões de euros, o equivalente a mais do dobro do orçamento da Educação previsto para este ano e à construção de 27 novos hospitais centrais.

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