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Fabian Figueiredo

Segure na carteira: saiba o que PS e direita lhe andam a esconder

25.09.2015 10:33 por Fabian Figueiredo
Tudo o que ouviu sobre reposição dos salários e das pensões é bem capaz de só ter o prazo de validade desta campanha eleitoral
Foto: Sábado

E se tivéssemos uma discussão séria e honesta sobre o futuro do país e as suas reais opções? Por princípio, estamos todos de acordo que esse deva ser o ponto de partida, por excelência, de uma campanha eleitoral de onde sairá inevitavelmente a composição dos futuros parlamento e governo da República. Mas será que estamos todos em sintonia?

Não. Há algo que António Costa e Passos Coelho preferem de todo que não se saiba e que faz toda a diferença.

Regressemos a Março do presente ano. Nessa altura, o Conselho das Finanças Públicas apresentou as contas sobre o que implica cumprir o Tratado Orçamental, ao qual PSD/CDS e PS vincularam o Estado português em 2012.

Meta as mãos nos bolsos e segure a carteira. Tudo o que ouviu sobre reposição dos salários e das pensões, seja em dois anos, como promete o PS, ou em quatro, como garante a coligação de direita, é bem capaz de só ter o prazo de validade desta campanha eleitoral.

Este tratado, que tem força de lei, amarra o país a um défice estrutural (diferencial entre receitas e despesas públicas) abaixo de 0,5% do Produto Interno Bruto e a reduzir a dívida pública para valores inferiores a 60%  do PIB - actualmente, está nos 129,6%.

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O organismo presidido pela economista Teodora Cardoso, insuspeita de nutrir simpatias à esquerda, explicou de forma transparente e direta o que significa cumprir estas regras europeias: 13 mil milhões de cortes durante os próximos quatro anos. Ou seja, austeridade a dobrar. E não é preciso puxar muito pela cabeça para descobrir onde vão buscar o dinheiro: salários, pensões e serviços públicos.

Percebe-se por que é que o assunto não anima as campanhas socialistas e da direita. É que ambos entendem que o país deve viver numa espécie de intervenção permanente da troika, o que, como é sabido, é pouco conveniente ser esclarecido em época eleitoral.

A política económica em Portugal não pode reduzir-se à sangria dos rendimentos dos seus cidadãos. Uma alternativa digna do seu nome alimenta-se da imperiosa necessidade de denunciar o Tratado Orçamental. É aí que nos situamos. 


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